quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O direito de ser frágil

É uma riqueza insondável este texto de São Paulo (2Cor 12,1-10). São Paulo nos fala que para que o seu espírito não se enchesse de orgulho e vaidade, foi lhe colocado um "espinho na carne".

Não é possível falar de crescimento humano se antes não falarmos de reconhecimento dos nossos limites. O bom treinador é aquele que vai saber salientar a qualidade do atleta, mas, sobretudo, vai saber encaminhá-lo para a superação dos limites. O primeiro passo é reconhecer onde a gente precisa melhorar.


É um grande desafio para todos nós porque, lamentavelmente, as pessoas não estão preparadas para nos educar para a coragem. Sabe por quê? Porque muitas vezes os incentivos que nos são dados estão mais voltados para esquecermos as nossas fragilidades. Quando mostramos as nossas fragilidades, há uma série de repreensões diante de nós.

Você já reparou que a gente não deixa a criança chorar? Já reparou que quando o recém-nascido chora, nós fazemos de tudo para calar a boca dele. Fazemos uma série de "cara feia" para ver se a gente cala a criança, para tentar espantar a fragilidade.

Nós, humanos, temos uma dificuldade imensa de lidar com a fragilidade do outro – ainda que seja filho da gente. Nós gostamos é de todo mundo feliz. Não estamos preparados para encarar a fragilidade. Parece que a nossa educação está sempre voltada para nos revestir de uma coragem que nos faz esquecer o limite.


Ter coragem é descobrir onde está a nossa fragilidade e ali trabalhar com um empenho um pouquinho maior. É não desconsiderar o que temos de bom, mas é também colocar atenção naquilo que ainda temos que melhorar. Estamos em processo de feitura. Não estou pronto, eu não sou perfeito, estou por ser feito, estou sendo feito aos poucos. E no processo de ser feito aos poucos eu vou descobrindo onde é que dói este espinho. Este espinho muda de lugar. Quanto mais uma pessoa está aperfeiçoada no processo de ser gente, maior é a facilidade de conhecer limites.

Para você retirar um espinho, às vezes, é preciso deixar inflamar. É como se o seu corpo dissesse: “Isso não me pertence”. De qualquer jeito, nós temos que tirar aquilo que não nos pertence. Tem algumas inflamações do espírito, da personalidade que tem gente que é tão aborrecida que a gente não pode nem encostar. São aquelas inflamações que se alastram.

E aí é que entra a grande contribuição do Cristianismo, numa proposta antropológica. Porque Deus não quer que você seja um anjinho na terra, mas que você deixe de ser inflamado. Ele quer te mostrar as inflamações para que você lute.

Cara feia, arrogâncias, isso é complexo de inferioridade. Sabe qual é o espinho? O medo, a insegurança.

Você já fez a experiência de viver uma palavra que te fez vazar em tudo o que estava estragado? Língua afiada quer dizer: deixar toda a inflamação que está dentro de nós vir para fora.

Ter condições de vazar aquilo que antes a gente desconhecia é admitir e reconhecer que somos frágeis. A pior ignorância é aquela que finge que sabe! Temos medo de mostrar que não aprendemos, que somos frágeis. Quantas vezes na nossa vida, por medo, perdemos a oportunidade de aprender.

Às vezes, por medo de expor a nossa fragilidade, porque parece que o mundo de hoje se esqueceu de mostrar a cultura do esforço que se fez para chegar aonde chegamos, perdemos o direito de chorar. E muitas vezes choramos e não sabemos o porquê estamos chorando.

O ensinamento de Jesus é sempre o avesso do avesso. Quer ser santo? Assuma que você é fraco. Muitas vezes, neste processo de se conhecer, a gente sangra. E nós precisamos sangrar. Um dos maiores poetas da música diz isso.

Quantas vezes você não se viu traduzido em uma canção de alguém que teve a coragem de sangrar, não teve medo de mostrar as próprias fragilidades.

Nós somos todos iguais. Nós, padres, somos todos iguais. Não adianta a gente fingir que é forte, ou ficar fingindo que não sente e que não tem medo. Eu não sei se você tem mais de cinco pessoas que conhecem os seus segredos. Para quantas pessoas você teve coragem de sangrar? Pessoas que te enxergam por dentro são raras.

Conversão é isso. É você educar o seu filho para ele poder te contar onde estão os espinhos. O espinho não é o defeito, mas é a seta que nos mostra onde temos que trabalhar para ser melhor.

A vida vai perdendo a graça porque não nos deixamos sangrar. A gente sangra melhor nos momentos de intimidade, onde a gente tem coragem de tirar a couraça. É muito melhor a gente admitir que tem medo. Para as pessoas ,é sempre doloroso ter que tirar os espinhos, de ver vazar as inflamações.

Há tantas situações que nos deixam com o “coração na boca”. Às vezes, nós colocamos muito mais atenção naquilo que as pessoas estão achando de nós, do que no que nós pensamos de nós mesmos.

Examine-se, você é uma pessoa que consegue levar o outro à cura. Em última instância, o que vai sobrar de nós é a nossa vontade de amar. Vamos descobrir o que hoje em nós está "infeccionado", porque é preciso sangrar, é preciso reconhecer-se frágil.

Padre Fábio de Melo 
Fonte: Canção Nova

A resiliência da alma - Pe. Fábio de Melo - Programa Direção Espiritual ...

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Padre Fábio de Melo afirmou seu amor e fidelidade à Ortodoxia da Igreja

Padre Fábio de Melo não teve mais paz depois de sua participação no programa “De Frente com a Gabi” (SBT). Tudo por um adendo mal contextualizado que gerou revolta em alguns católicos que sugeriram, inclusive, uma petição pedindo a ex-comunhão do sacerdote. A declaração dizia que Jesus queria instaurar o Reino de Deus, mas o que pudemos dar a Ele foi a Igreja.
Padre Fábio de Melo cantando saudando o Papa Francisco durante a JMJ Rio2013
Padre Fábio de Melo cantando para o  Papa Francisco durante a JMJ Rio2013

Nesta quarta-feira,22,  o sacerdote publicou uma carta em seu site oficial onde afirma que este é um momento “sofrido”. Para acabar de vez com as acusações e críticas impiedosas, Padre Fábio, pede desculpas. 
Eu assumo que errei ao usar a expressãoEu não estava numa sala de aula, lugar onde a Ortodoxia convive bem com a dialética. Não considerei que muitos telespectadores poderiam não entender o contexto da comparação. E por isso peço desculpas. E junto às desculpas, faço minha retratação.Nunca tive problema em assumir meus equívocos”, disse o padre.
O sacerdote finalizou agradecendo pelas orações dos fieis que o acompanham neste tempo e dispensando sua bênção.
Leia carta na íntegra
Queridos amigos,
Em virtude da polêmica que envolveu minha fidelidade à Ortodoxia Católica, venho esclarecer alguns pontos.

Padre afirmou seu amor e fidelidade à Ortodoxia da Igreja
Padre afirmou seu amor e fidelidade à Ortodoxia da Igreja

Em nenhum momento da minha vida atentei contra a sacralidade da Igreja Católica Apostólica Romana. Sou Mestre em Teologia Dogmática e zelo muito para que minha pregação esteja de acordo com os ensinamentos da Igreja. Este é o credo que professo: “Creio na Santa Igreja Católica Una, Santa, Católica e Apostólica.” Nunca inventei uma crença particular, ou um modo diferente de compreender esta profissão de fé.
A expressão que usei no programa de “De frente com Gabi”, “Jesus queria o Reino de Deus, mas nós demos a Ele a Igreja” é uma expressão muito usada nos bastidores acadêmicos que frequentei em minha vida, e está distante da proposta herética que ela já representou em outros tempos. O significado evoluiu.
Nossa Fundação é Santa, pois fomos instituídos pelo Cristo. “A Igreja é um corpo, em que nós somos os membros e Jesus Cristo é a cabeça (Col 1,18; I Cor 12,27). Na cabeça o Reino já está estabelecido. Em Cristo, o Reino já está plenamente manifestado. Mas os membros do corpo ainda estão no contexto da busca, pois continuamos arrastando as consequências adâmicas do nosso pecado. E por isto, mesmo que em Cristo o Reino já esteja plenamente manifestado, em nós, Igreja, povo de Deus, ele continua sendo a meta que nunca deixamos de buscar.
O Concílio Vaticano II, através de sua Constituição Dogmática Lumen Gentium, enfatizou que a Igreja é povo de Deus. O povo é errante, pois apesar de estar mergulhado nas graças do batismo, ainda sofre as consequências da fragilidade que o pecado lhe deixou. O mesmo Concílio declarou “O Reino de Cristo já presente em mistério, cresce visivelmente no mundo pelo poder de Deus…” (LG 3). Presente em mistério. Isto é, cabe a nós, membros deste corpo, apressar a sua chegada. A Igreja é triunfante, mas também é peregrina, penitente, pois que carrega em sua carne a fragilidade de seus membros.
Sim, a Igreja é santa, mas comporta em seu seio os pecadores que somos nós. E por isso dizemos, também com o perigo da imprecisão teológica: “A Igreja é Santa e pecadora”. Bento XVI sugeriu modificar a expressão. “A Igreja é Santa, mas há pecado na Igreja”. Notem que ele salvaguarda a santidade na essência.
Mas o pecado existe na Igreja. Por isto rezamos nas liturgias diárias pelo Santo Padre, pelos bispos, pelo clero, pelo povo de Deus. Clamamos por purificação, luzes em nossas decisões, pois sabemos que é missão do Espírito encaminhar na terra a Igreja que ainda não é Reino de Deus (porque maculada pelos nossos pecados), e que ao Cristo damos diariamente. Mas nós caminhamos na esperança. Sabemos que um dia todas as partes do corpo estarão agindo em perfeita harmonia com a cabeça. Seremos a “Jerusalém Celeste”.

Padre diz está vivendo momento sofrido.
Padre diz está vivendo momento sofrido.

Eu assumo que errei ao usar a expressão. Eu não estava numa sala de aula, lugar onde a Ortodoxia convive bem com a dialética. Não considerei que muitos telespectadores poderiam não entender o contexto da comparação. E por isso peço desculpas. E junto às desculpas, faço minha retratação. Nunca tive problema em assumir meus equívocos. Usei uma expressão que carece ser contextualizada com outras explicações, para que não pareça irresponsável, nem tampouco herética.
Repito. Eu não nego nem neguei a definição dogmática expressa na Lumem Gentium, Número 5.
“O mistério da santa Igreja manifesta-se na sua fundação. O Senhor Jesus deu início à Sua Igreja pregando a boa nova do advento do Reino de Deus prometido desde há séculos nas Escrituras: «cumpriu-se o tempo, o Reino de Deus está próximo» (Mc. 1,15; cfr. Mt. 4,17). Este Reino manifesta-se na palavra, nas obras e na presença de Cristo. A palavra do Senhor compara-se à semente lançada ao campo (Mc. 4,14): aqueles que a ouvem com fé e entram a fazer parte do pequeno rebanho de Cristo (Luc. 12,32), já receberam o Reino; depois, por força própria, a semente germina e cresce até ao tempo da messe (cfr. Mc. 4, 26-29). Também os milagres de Jesus comprovam que já chegou à terra o Reino: «Se lanço fora os demónios com o poder de Deus, é que chegou a vós o Reino de Deus» (Luc. 11,20; cfr. Mt. 12,28). Mas este Reino manifesta-se sobretudo na própria pessoa de Cristo, Filho de Deus e Filho do homem, que veio «para servir e dar a sua vida em redenção por muitos» (Mt. 10,45).”
E quando Jesus, tendo sofrido pelos homens a morte da cruz, ressuscitou, apareceu como Senhor e Cristo e sacerdote eterno (cfr. Act. 2,36; Hebr. 5,6; 7, 17-21) e derramou sobre os discípulos o Espírito prometido pelo Pai (cfr. Act. 2,33). Pelo que a Igreja, enriquecida com os dons do seu fundador e guardando fielmente os seus preceitos de caridade, de humildade e de abnegação, recebe a missão de anunciar e instaurar o Reino de Cristo e de Deus em todos os povos, e constitui o germe e o princípio deste mesmo Reino na terra. Enquanto vai crescendo, suspira pela consumação do Reino e espera e deseja juntar-se ao seu Rei na glória.
Agradeço pela prece dos que me acompanharam neste momento tão sofrido.
Com minha benção,
Padre Fábio de Melo”.
Em seu perfil no Twitter, o padre escreveu referindo-se ao que chegaram a pedir sua ex-comunhão.
padrefabio9

União gay
Sobre outra afirmação dada pelo sacerdote acerca da união gay, desta vez no programa Altas Horas (Rede Globo), padre Fábio também se pronunciou, através de seu perfil no facebook.
“Primeiramente, vale lembrar que as Igrejas cristãs são contra o casamento gay. E podem ser. Cada igreja tem seu código doutrinário e liberdade para isto. A Igreja Católica Apostólica Romana já se posicionou RADICALMENTE contra o casamento gay. E eu, como padre desta Igreja, não tenho autorização de emitir opiniões contrárias a ela.
Ponto. Como já fiz em outra ocasião, numa longa entrevista que dei à Folha de São Paulo, resolvi desdobrar a questão, pois há outro lado que precisa ser discutido e considerado para que não sejamos taxados de religiosos ingênuos e desinformados. Vale lembrar que esta reflexão não foi inaugurada por mim. Muitos padres, bispos, cardeais, inclusive Cardeal Bergoglio, hoje Papa Francisco, refletiram sobre esta distinção”.
íntegra da declaração, aqui.

Fotos: Canção Nova
Fonte: Fonte: http://blog.opovo.com.br/ancoradouro/em-carta-padre-fabio-de-melo-acaba-com-polemica-em-torno-de-declaracao-mal-entendida/

“Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.”

 O jornalista Roldão Arruda publicou no blog do Estadão a seguinte reportagem: “Na Tv, Padre Fábio de Melo defende casamento civil gay.” Ele não foi desonesto com o conteúdo, mas eu mudaria a manchete: “Na Tv, padre Fábio de Melo distingue união cível entre pessoas do mesmo sexo e casamento gay.”

O contexto da reportagem faz menção à resposta que dei no Programa “Altas Horas”, da Tv Globo, quando interrogado a respeito do assunto, minha resposta consistiu em salientar as duas dimensões da questão. A religiosa (casamento) e a civil (união que favorece direitos). E sobre isto gostaria de falar com mais delongas, uma vez que a Tv não nos permite tempo de qualidade para abordar temas tão complexos.

Primeiramente, vale lembrar que as Igrejas cristãs são contra o casamento gay. E podem ser. Cada igreja tem seu código doutrinário e liberdade para isto. A Igreja Católica Apostólica Romana já se posicionou RADICALMENTE contra o casamento gay. E eu, como padre desta Igreja, não tenho autorização de emitir opiniões contrárias a ela.

Ponto. Como já fiz em outra ocasião, numa longa entrevista que dei à Folha de São Paulo, resolvi desdobrar a questão, pois há outro lado que precisa ser discutido e considerado para que não sejamos taxados de religiosos ingênuos e desinformados. Vale lembrar que esta reflexão não foi inaugurada por mim. Muitos padres, bispos, cardeais, inclusive Cardeal Bergoglio, hoje Papa Francisco, refletiram sobre esta distinção.

Moramos num país laico, isto é, o Estado não professa uma fé. Mas defende em sua constituição a liberdade religiosa. O Estado é gestado a partir de leis que não nascem nos altares. Elas nascem no Congresso Nacional, lá onde legislam os que foram eleitos por nós. Deputados e senadores trabalham, em âmbitos diferentes, na elaboração e aprovação das lei que norteiam direitos e deveres dos cidadãos.

Pois bem. A união civil entre pessoas do mesmo sexo é uma questão que não compete às igrejas, mas ao Estado. O casamento, sim, este diz respeito às Igrejas, pois são elas que pregam diariamente o significado da família, do amor e da tradição herdada, que nunca comportou o matrimônio de duas pessoas do mesmo sexo.

Mas o que podem as igrejas quando o assunto é o reconhecimento de uma sociedade (no cartório) entre duas pessoas que construíram uma vida em comum? Duas pessoas que edificaram um patrimônio e que precisam de leis que garantam seus direitos?

A questão ardilosa. As igrejas podem até opinar, protestar, manifestar indignação, mas não podem decidir. Em última instância, a resolução é do Estado, que da mesma forma que garante o direito de culto, garante também a indiferença religiosa. Isto significa que os cidadãos não são obrigados a seguir regras religiosas.

Algumas igrejas já decidiram que pretendem minar as forças do Estado. Qual a estratégia? Elegem vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores e não demorarão a propor um presidente da República.

Basta dar uma olhada no grande número de deputados evangélicos nas bancadas estaduais e federais. É uma estratégia para quem pretende opinar e decidir para além de seus púlpitos. Eu não julgo a situação. Não digo se é boa ou ruim, mesmo porque eu nunca considerei que pertença religiosa é o mesmo que competência política. Religiosos no poder é um fato relativamente novo. Há alguns muito competentes e outros nem tanto. O tempo nos dirá.

A Igreja Católica sempre foi muito prudente na indicação de candidatos. Eu mesmo já fui repreendido por ter apoiado publicamente pessoas que eu considerava idôneas. E por isto não temos muitas notícias sobre “Bancada Católica” nas instâncias do poder. Talvez porque prefira a prudência, como em tantas outras questões.

Gosto de salientar que as regras civis não mudam em nada as regras dos verdadeiros cristãos. A liberdade cristã é uma instância superior às regras humanas. A carta de Paulo aos Gálatas é uma belíssima apologia a esta liberdade. A palavra do Santo Padre, o Papa, continua orientando os cristãos católicos pelo mundo. Nos países onde o aborto foi covardemente aprovado, as mulheres verdadeiramente cristãs continuam observando o valor supremo da vida.

E assim termino. Casamento gay é um assunto religioso, pois refere-se diretamente à instituição sagrada que as igrejas defendem: o matrimônio. E sobre isto podemos definir. União civil entre pessoas do mesmo sexo é uma questão do Estado. Podemos opinar, mas não decidir. A decisão ficará nas mãos dos que foram eleitos por nós.

A regra de Jesus continua valendo. “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.”
Mt, 22, 21.
Pesquisa Internet

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Padre Fábio de Melo - Criar espaço para a verdade

Como é fácil a gente começar a perceber que a nossa vida está sendo de qualquer jeito, que nós vamos construindo a vida partir de escolhas que não trazem sabor.
É lamentável quando nós viramos um ‘feijão pagão’, sem sabor, e o interessante é que nessa hora chega alguém na nossa vida para dar um sabor. Eu não sei se tem alguma coisa que alivia a gente mais do que quando chega alguém perto de nós naqueles momentos difíceis, pega na nossa mão e diz ‘eu estou aqui!’.
Quando o Espírito Santo toma conta de nós e tomamos consciência, descobrimos que há um jeito de viver que faz a diferença na vida do outros.A experiência de emprestar sabor a quem não tem, dar cor na vida de quem está vivendo no preto e branco.A ação do Espírito Santo é para nos transformar e nos dar sensibilidade, porque o mundo está cada vez mais insensível. Cada uma vivendo no sue mundinho...Vivemos a distância das pessoas...Talvez, você saiba o que significa dormir ao lado de um homem há anos na mesma cama e o coração de vocês está distante...
É importante lembrar ao outro que estamos do lado dele.Muitas vezes a pessoa nos empresta sabor, e até mais, nos empresta a verdade dela, a sinceridade dela.
Efésios 4, 25
Conversão é isso: a descoberta de um jeito antigo de viver que não vale a pena. A verdade é o caminho mais simples.Lá em MG nós mentimos com uma facilidade! (risos). Digo isso porque eu sou de lá...Eu chego lá para ficar dois dias eos meus amigos todos me convidam para ir tomar um café na casa deles, e eu digo para todos ‘eu vou sim’ (risos), mas eu sei que não vou. Nós somos assim!
Eu não posso prometer uma coisa que eu não vou fazer! É só dizer: eu não vou tomar cafe na sua casa porque não haverá tempo...Nós temos medo de magoar as pessoas , da pessoa ficar chateada...Tem gente que o padroeiro é São Pinóquio! (risos)
Jesus já dizia: a verdade nos libertará. Portanto, a mentira aprisiona.
Você acha que a mentira é o caminho mais simples, mas não é. Na hora que somos verdadeiros, nós chocamos a pessoa, mas nós colocamos as coisas do jeito que tem que ser.É melhor ser verdadeiro! Dá menos trabalho ser verdadeiro.Muitas vezes mentimos sem saber que estamos causando malefício a outra pessoa, e olha que mentimos, por vezes, na boa intenção.Por exemplo na morte de alguém querido, tipo a vovó, muitos pais dizem aos filhos que a pessoa está dormindo, com o intuito de poupar a criança.Precisamos educar os nossos os filhos para a verdade, com a linguagem da criança, se não o Espírito Santo perde a oportunidade de nos levar para a Santidade.Ás vezes a vida é tão dura com a gente que não damos conta de vivê-la sozinha.
Por exemplo, a tristeza e a alegria, precisam ser compartilhadas, é o desejo de partilha.É igual quando ouvimos uma pregação e lembramos de uma outra pessoa que também deveria ouvir. Isso mesmo precisa divulgar quando algo é bom para você e pode ser também bom para o outro.
Sabe por que a Canção Nova é um fenômeno no mundo? Porque um sai falando para o outro!
É a alegria que você experimenta e empresta para o outro, não quer só para você, e por isso compartilha, passa para outros.Se você opta pela verdade, não vai conseguir levar no mesmo saco a mentira.Você fica mais leve com a verdade, não precisa mentir em pequenas coisas.Na hora da raiva... não peque por causa dessa raiva. Nós expulsamos o Espírito Santo quando agimos com raiva., porque quando estamos com raiva falamos que não queríamos, olhamos do jeito que não gostaríamos...É uma tomada de inconsciência, a pessoa fica agressiva.Ou nós vamos colocando essa raiva na coleira, ou abrimos brecha ao diabo. Não dê a oportunidade ao diabo.
Quando estamos mergulhados em Deus, a tentação sempre vem, e o inimigo de Deus crava um espinho em nossa carne. O diabo, por vezes, entra nos detalhes, e nos destrói nas pequenas medidas, e de repente ele tomou conta de tudo. Ele é sedutor. Pequenas medidas podem destruir uma família inteira.Quando o Espírito Santo faz a construção em nós, é preciso uma vida de renúncia.Precisamos ser cristãos 24 horas por dia.Cada um de nós tem um jeito de ter contato pessoal com o Senhor, é como olhar-se no espelho e perceber o que precisa mudar, o que pode fazer para ficar mais bonito, somente que olhar no Senhor é mais que ver a estética, é ver a alma.Não dê espaço para que o diabo entre em sua vida, e esse espaço pode custar caro para você.
Quando não falamos na hora certa, choramos na hora errada.As pessoas não sabem viver a moderação porque não fomos educados para isso.Você sabe parar na hora certa?
É tão bonito nós mudarmos a nossa vida, a nossa conduta por causa daqueles que a gente ama, nós tornamos um ser humano mais livre, mais bonito, mais saudável e essa atitude convence e arrasta o que está do nosso lado.A pior coisa que tem é a fofoca, esparramar uma calúnia do outro. Isso é ‘espírito de porco’, que fuça tudo que há de ruim da pessoa para contar para todo mundo. E isso causa um malefício enorme na vida da pessoa.Uma palavra errada, sem discernimento causa um estrago. Tudo o que você vai falar precisa passar pelo discernimento. Ás vezes o que você vai falar é preciso, mas é importante saber a hora certa. Encontre o espaço para a verdade para não estragar a alma do outro.Você que é mãe sabe que precisa ter a hora certa até de falar com o seu filho... concorda?
A mesma coisa se aplica na hora de dizer as coisas para o outro, precisa pensar antes de falar.Nós somos vítimas do olhares apressados que temos sobre as coisas, e o Espírito Santo é justamente esse processo de calma para viver e fazer as coisas na hora certa.É no momento da calma que somos capazes de fazer uma revisão dos espaços vagos que o diabo entra. Precisamos de reflexão. A calma é aquele momento que a gente sente que Deus está agindo dentro de nós. Tudo se torna difícil a partir do momento que não sabemos lidar. É importante saber lidar conosco mesmos e assim a liberdade se torna mais simples, a verdade se torna mais simples
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