terça-feira, 21 de agosto de 2012

O mistério da assunção de Maria

“Minha alma glorifica o Senhor, meu espírito exulta de alegria.” Isso não é algo que acontece da noite para o dia. Fico pensando no quanto Maria se dedicou à construção do Magnificat, um canto, uma realidade teológica preparada desde o momento em que ela reconheceu quem era. Uma coisa é quem você é, outra é quem precisamos nos tornar. Quem é você? Ô pergunta difícil de responder, pois nos leva a refazer quem somos tudo o que já passamos. Eu não sei o que você precisou viver para ser o que é hoje, mas sei o que você precisa fazer para ser o que Deus espera de você. Não me importa o que você viveu até o dia de hoje. Eu o respeito. Olho para você como Cristo também olha. No altar, reunimo-nos para viver a dinâmica dessa festa: a Assunção de Nossa Senhora ao céu. Maria, terminado o curso de sua vida, é elevada ao céu.Não me importa o que você viveu até o dia de hoje. Eu o respeito. Olho para você como Cristo também olha. No altar, reunimo-nos para viver a dinâmica dessa festa: a Assunção de Nossa Senhora ao céu. Maria, terminado o curso de sua vida, é elevada ao céu. Meu irmão, minha irmã, se a experiência com Jesus não for feita no dia a dia, corre-se o risco de ela ficar na camiseta que usamos na cruz que carregamos no pescoço. Quanto mais mergulho no mistério de Cristo, mais aprimorada é minha visão de Maria. Ela viveu sua assunção nos pequenos gestos, nas pequenas coisas. Nossa Senhora ousou ir para cima, elevar-se e nunca permitir que as dificuldades de sua vida a fizessem desanimar. Se a devoção a Maria não nos colocar nos braços de Jesus, ela não servirá para nada. Até mesmo ela ficará insatisfeita, pois não conseguirá colocar, em nossos braços, o amor de seu Filho. Também nós precisamos viver essa assunção diariamente. Na carta de São Paulo, na liturgia de hoje, vemos, na Ressurreição de Jesus, um movimento que nos faz vencer a morte. A Igreja nos ensina que os grandes mistérios são as miudezas do nosso dia a dia. Acho bonito que, também hoje, no mistério da assunção, Maria visita Isabel. No ventre de Isabel está o Antigo Testamento, aquele que vai anunciar o novo Messias, anunciará que Deus entrará, definitivamente, em nossa vida. É o laço do Antigo Testamento sendo amarrado no ventre de Maria. Por isso ela foi visitar Isabel.
"A Igreja nos propõe elevar as mãos ao céu para, juntos, construirmos a civilização do amor", diz padre Fábio Maria sabia que precisaria educar bem Jesus, ser uma mãe zelosa. Sua assunção começou nos pequenos detalhes, quando ela aceitou a proposta de seu Filho. Ao gerar Jesus, ao dar a Ele a carne humana, ela também construiu, dentro dela, o mistério de salvação que a elevava, a redimia. A Igreja, ao viver o mistério da assunção de Maria, nos propõe colocar as mãos para o céu e, juntos, construirmos a civilização do amor. Alimente-se da Palavra de Deus, alimente-se dos sacramentos. Sem Igreja nós não nos alimentamos. Cuidado com a “camisetinha” que o identifica como sendo de um determinado grupo, ela pode ser diabólica; cuidado com a cruz que carrega em seu pescoço. Um dos lugares favoritos do diabo é a sacristia, são os bastidores. Como encontramos pessoas maldosas protegidas pela cruz peitoral, pela autoridade! Deus encontra bondade na lama, mas, muitas vezes, não a encontra no altar. Um dos ensinamentos mais bonitos que aprendi com o fundador da congregação, na qual fui formado, padre Dehon, foi: “Deus não pode fazer nada com minhas obras se antes ele não possuir o meu coração”. Meu irmão, permita que o seu ministério, que sua vida familiar seja um instrumento de salvação. Permita que sua casa seja o seu lugar de redenção. Não tenha medo de ousar; sem ousada não se chega ao céu. Tenha, o tempo todo, seus olhos voltados para o alto, pois é assim que precisamos estar. Não podemos viver “desamarrados” do Novo Testamento. Somos filhos da assunção. Não podemos admitir que as forças do diabo venham ameaçar a inteireza da nossa vida.

Padre Fábio de Melo

domingo, 19 de agosto de 2012

Portador de Deus

Hoje celebramos na liturgia, memória de Santo Inácio, que recebeu o titulo de ‘’Teófiro” – portador de Deus. Você já passou pela experiência de ser ‘portador’? Quando era pequeno, minha mãe me mandava buscar alguma coisa, e junto, levava um bilhetinho. Na verdade, era para me dar autoridade. O que acho interessante é que ser portador de Deus tem a ver com a observação que Jesus faz sobre a hipocrisia. No ser portador não importa quem porta, mas o que se porta. Não importa quem leva, mas o que se leva. Aqui a gente entende um detalhe da teologia sacramental muito bonito. Você pode já ter pensado que a Missa que um padre celebrou não tinha valor, pela vida que ele levava. Não importa o portador, e sim o conteúdo que ele anuncia. Tenho que confiar que ele cumprirá o ofício de trazer o que foi pedido a ele. O que Deus realiza na minha vida de sacerdote, o que eu posso realizar a partir dos sacramentos, não está na minha dignidade, mas no ministério recebido. Em mim o mistério de Deus sobrevive, mesmo que eu não faça como deveria ser feito, mesmo pecador. Aí a gente entende a autoridade do padre, onde mesmo não tendo uma vida santa, Jesus continua atuando nele, continua tendo poder de perdoar pecados, de ministrar os sacramentos. Nos paramentos que visto há uma identidade cravada. Inácio de Antioquia dizia: “Neste mundo eu quero ser portador de Deus, desta verdade absoluta”. E sabe onde ele foi parar? No meio dos leões. Com portador eu não posso extraviar esse conteúdo. Tenho que me comprometer com ele. Sou portador de um recado e eu não tenho direito de negligenciar isso...e Jesus diz para termos cuidado com aqueles que podem nos mandar para o inferno. Você é portador de Deus. Não há cristianismo na moleza. O portador ‘porta a dor’. Não significa você buscar sofrimento, mas abrir o coração para viver o sacrifício de cada hora. O martírio virá. Não há como segurar esse bilhete de qualquer jeito, o mundo quer retirá-lo de nós. Na carta que você carrega, a família tem valor, os cativos serão libertos, não há espaço para mentira, para as drogas, para os vícios. A carta que levamos leva boas noticias. As ameaças que sofremos são outras, os inimigos são outros. Hoje você está sendo assassinado na alma.
Estamos diante do desafio de dar conta da vida todos os dias. Esse é o martírio de hoje, em tempos que não são favoráveis aos cristãos. Você está disposto a viver esse martírio? Chega de hipocrisia. Precisamos assumir o cristianismo com todas as conseqüências. Preciso ser cristão em tudo o que sou e realizo. Sou portador de uma noticia! Seja portador de Deus vivendo o seu papel. O cristianismo nos envolve por inteiro. E a espada que está diante de nos hoje é essa que quer nos mandar para o inferno, que cria o inferno dentro de nossa casa. Os saqueadores estão loucos pelos seus filhos. A cena do martírio é a mesma. O mundo nos ameaça o tempo todo e só vai sobreviver aquele que estiver consciente do conteúdo da carta que porta, da identidade que tem. Deus conta com você. As feras estão soltas. O mundo de hoje é covarde. Descubra o perigo mais próximo de você e aja! Peça a sabedoria que o Espírito Santo nos concede e aja. Não negligencie de levar até o fim essa carta que Deus lhe confia. Quando as pessoas olharem pra nós terão que ver o cristo refletido. Ver que você administra seu lar diferente. Que você não é mãe de qualquer jeito. Tu és uma carta de Cristo! Anunciamos o Evangelho mesmo calados! Faça transparecer a identidade que está em você. Filho do céu. Portador de Deus. Há muita gente desistindo, mas eu não desisto, não quero desistir. Um filho do céu não pode desistir. Não desista!

 Padre Fábio de Melo

sábado, 18 de agosto de 2012

'Construindo a Felicidade'

Domingo é o dia do Senhor. Para celebrar este momento, a Canção Nova promove, em 19 de agosto, o Kairos “Construindo a Felicidade”, na sua sede, em Cachoeira Paulista (SP). 
 Santo Agostinho, um dos maiores doutores da Igreja, nos fala que "a busca de Deus é a busca da felicidade. O encontro com Deus é a própria felicidade". E Em seu livro, “Construindo a felicidade”, padre Adriano Zandoná nos fala exatamente sobre a verdade felicidade, que é única e tem nome: Jesus Cristo. “Não podemos confundir prazer com felicidade, pois ele é apenas um dos elementos para alcançá-la”, afirma o sacerdote. 

Presenças confirmadas: 

Padre Adriano Zandoná 
Missionário da Comunidade Canção Nova

Padre Fabio de Melo 
Cantor, escritor e apresentador do programa “Direção Espiritual” na TVCN

Padre Reginaldo Manzotti 
Sacerdote na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe (PR)

Fonte: http://www.cancaonova.com/portal/canais/eventos/novoeventos/cobertura.php?cob=2728

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Para refletir...

A pior ignorância é aquela que finge que sabe! Temos medo de 
mostrar que não aprendemos. Quantas vezes na nossa vida, por 
medo, perdemos a oportunidade de aprender. 

 Padre Fábio de Melo

Anunciamos o Evangelho mesmo calados!

Anunciamos o Evangelho mesmo calados!
Faça transparecer a identidade que está em você.
Filho do céu. Portador de Deus.

Padre Fábio de Melo

Relações saudáveis são relações que nos devolvem a nós mesmos...

"Relações saudáveis são relações que nos devolvem a nós mesmos - e, o melhor, devolve-nos melhorados. O outro, ao passar pela nossa vida, encontra-se com nossa subjetividade. Ao estabelecer conosco uma relação, ele está nos permitindo adentrar o seu território subjetivo. Esse encontro faz surgir uma terceira pessoa, o nós. Respeitadas as subjetividades, isto é, as pessoas não deixam de serem elas mesmas, o encontro humano alcança o poder de integrar as partes entrelaçando-as sem que elas se confundam. O amor talvez seja isso. Encontro de partes que se complementam, porque se respeitam. E, no ato de se respeitarem, ampliam o mundo um do outro. O recém-chegado não tem o direito de reduzir o mundo de quem se deixou encontrar. O amor não diminui, mas multiplica." 
 Pe Fábio de Melo

Ao coração


Deus me entregou bem mais do que eu mereço
Talvez seja por isso
Que eu me cobre um pouco mais
Não que eu não seja capaz
Mas, às vezes, é difícil

Nem sempre eu sei fazer, o bem que eu desejo
E, às vezes, eu me vejo
Me enganando sempre mais
Não que eu não queira acertar
Mas nem sempre é possível

Já me condeno tanto
Pelos erros que na vida eu cometi
Pelas vezes que eu não soube decidir
E assim, o meu coração gritava
Desespero de quem ama
Coração, tu que estás dentro em meu peito
Me condenas desse jeito
E eu não sei por qual motivo
Se és divina voz em mim
Só te peço, por favor, eu sou humano
Não me condenes assim

Humano eu sou assim: virtudes e limites
Se agora me permites
Eu pretendo é ser feliz
Sem prender-me ao que eu não fiz
Mas olhando o que é possível

A dor que, às vezes, vem
Me faz feliz também
Pois ela me recorda
O valor que tem a cruz
Quando a noite esconde a luz
Deus acende as estrelas