quarta-feira, 20 de março de 2013

'Somos filhos da Páscoa'

"Ainda hoje somos homens e mulheres de passagens; somos filhos da Páscoa. Os mares existem; os cativeiros também. As ameaças são inúmeras. Mas haverá sempre uma esperança a nos dominar; um sentido oculto que não nos deixa parar; uma terra prometida que nos motiva dizer: Eu não vou desistir!E assim seguimos. Juntos. Mesmo que não estejamos na mira dos olhos.O importante é saber, que em algum lugar deste grande mar de ameaças, de alguma forma estamos m travessia."  (Padre Fábio de Melo).

Vida comum


Minha vida é feita de caminhos comuns. A rua que me leva não flutua sobre atmosferas que não sejam humanas. Vejo o mundo em sua crueza cotidiana, onde Anas, Marias e Ofélias cruzam avenidas movimentadas, ávidas por tintas para colorir os cabelos. 

A padaria da esquina não está iluminada por notícias de milagres. Não há maná no cardápio. O que há é o trigo cotidiano, faminto de fomes e pronto para o prazer da saciedade. 

Eu olho devagar para cada coisa e descubro uma vida miserável, mas surpreendente. O homem da garapa não se cansa de acreditar na doçura que comercializa. Todos os dias, ao seu modo, ele se esforça para diminuir o amargor da vida. Moe a cana como se moesse a dureza da existência. 

Ao lado, bem ao lado, o jornaleiro espera pelos leitores. Oferecerá ao longo do dia a tradução curiosa de um mundo transmudado em palavra. As manchetes gritam as fofocas que amanhã serão esquecidas, substituídas por outras, enquanto os romances em edições populares resguardam a beleza de homens e mulheres que ficaram eternos, mas que ainda são desconhecidos. O príncipe de Maquiavel está empoeirado no canto. Virou plebeu. Perdeu o garbo da edição primorosa. Caiu de posto. 

Os morros dos ventos uivantes estão silenciados. As pilhas de revistas semanais gritam demais e não há vento que possa vencê-las. Iracema, a virgem dos lábios de mel está deitada ao lado de Brás Cubas, o defunto que fala. Romantismo e Realismo em expressões tão inexatas de uma mesma época. Eu continuo... 

O ponto de ônibus está cheio. Uma mulher visivelmente abatida está desejosa de voltar para casa. A sacola de embrulhos é uma metáfora da vida. Presa à ponta dos dedos, a vida parece resguardada nos motivos de um papel pardo. O embrulho da mulher, a mulher do embrulho, tudo me faz crer que o caminho comum é o lugar da poesia. O ônibus chegará, mas a casa ainda não. Haverá o processo de passar por outras casas que não são a sua. Enquanto isso, o desejo, este alimento que nos leva adiante será nutrido em porções menores. 

Entro no meu prédio. Há um homem feliz por me ver chegar. “O senhor andou sumido!” Ele me disse. “É verdade!” Eu concordei. Andar sumido é coisa que não consigo resolver. As distâncias do mundo me separam do meu mundo, do homem da garapa, do jornaleiro, do porteiro que me quer bem... 

O elevador me eleva. Chego ao destino de minha porta. O desejo de entrar é imenso. Recordo-me da mulher e suas sacolas de embrulhos. Outro pensamento me ocorre “Bem que eu poderia ter retirado Brás Cubas daquela banca! Seria uma forma de comemorar o centenário de Machado de Assis. Mas agora não importa. Não o fiz.” 

Coloco a chave na fechadura. Faço o movimento de abrir. Adentro minha casa. O silêncio de minhas coisas não corresponde aos gritos de minhas causas. Não estou só. O mundo está dentro de mim. Padre Fábio de Melo 
Fonte: SiteOficial

LETRA DA MÚSICA - Eu Espero Padre Fábio de Melo

Se você soubesse o quanto é intenso no meu peito
O amor que eu tenho por você e o que guardo aqui 
dentro 
Se você voltasse sempre, se houvesse intimidade 
Certamente deixaria de implorar por outro amor 
Na distância é tão difícil ser amigo de alguém 
Olhe para mim, eu preciso lhe dizer 

 Que eu espero por você 
E não me canso de esperar 
A porta aberta vou deixar 
Se quiser pode voltar 
E eu espero por você E não me canso de esperar 
Meu coração se alegrará 
Quando você se aproximar 

 Se você se aproximasse do meu peito transpassado 
Se aos pés da cruz ficasse, saberia o que é o amor 
Se o amor que me oferece é tecido de palavras 
Eu lhe estendo os meus braços, mostro em gesto o que é o amor
 Na distância é tão difícil ser amigo de alguém 
Olhe para mim, eu preciso lhe dizer

Fonte: kboing

Eu espero por você (Padre Fabio de Melo)

domingo, 17 de março de 2013

Padre Fabio de Melo - Seja bem vindo

A Esperança Entre Nós - Padre Fábio de Melo















Eis que em terras verdes brasileiras 
Vem chegando outras bandeiras, 
Outras civilizações 

Ouviram a voz que clama do deserto 
Desejaram ver de perto 
O que Deus aqui fará

Navegam as nações por esse rio de
Rio de Janeiro protegido 
Pelo Cristo Redentor

Brasil, braços abertos para o mundo 
Solo santo e fecundo 
Onde Deus plantou raiz

A alegria se espalha pelas ruas 
Desperta o poder da vida 
Desfaz toda a escuridão

Liturgia do amor que nos religa 
Congrega e transforma o mundo 
Na pátria do coração.

Há um esperança brilhando entre nós
Vem se hospedar, preparar o amanhã 
O reino de Deus se antecipa aqui

Somos a chance de um mundo melhor. 
Queremos Deus, eis a nossa razão 
Honrar o sangue que nos redimiu

Eis o que agora nos pede o Senhor 
Ide e fazei discípulos 
De todas as nações 

Fonte: http://letras.mus.br/pe-fabio-de-melo/a-esperanca-entre-nos/