quarta-feira, 14 de outubro de 2015
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
'Fazei tudo o que Ele vos disser'
"Três dias depois, celebravam-se bodas em Caná da Galileia, e achava-se ali a mãe de Jesus. Também foram convidados Jesus e os seus discípulos. Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: Eles já não têm vinho. Respondeu-lhe Jesus: Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou. Disse, então, sua mãe aos serventes: Fazei o que ele vos disser." (João 2,1-5)
São muitas as pessoas que Deus coloca em nossa história para provocar em nós a santidade. Mas o que é a santidade? Alcança a santidade o ser humano que consegue se livrar dos excessos.
Se você viajar e levar muita mala, a viagem ficará pesada. Assim é a nossa vida. É preciso viver com leveza, e só consegue esvaziar a mala aquele que, de alguma maneira, já esvaziou o coração.
Maria sabia o que significava na vida de seu Filho. Ela é parte do mistério da salvação, ela é quem nos traz Jesus. A passagem citada acima culmina num grande milagre, mas não é a isso que eu quero me ater. Na Palavra, vemos que o vinho acabou na festa e não seria Jesus a resolver o problema. Mas Maria vai até os servos e lhes diz: “Fazei tudo o que ele vos disser”. A importância dela está expressa nessa passagem. Nossa Senhora nunca quis tomar o lugar de Jesus. O papel dela é nos conduzir a Ele, que pode resolver os nossos problemas. Ela não nos prende em si mesma, ela não nos diz: “Fique aqui e eu vou resolver tudo por você”. Não!
As bodas de Caná nos mostram o poder de intercessão que a Virgem Maria tem sobre Jesus. “Fazei tudo o que ele vos disser”. Se nós, que somos cristãos, não fizermos uma experiência concreta com Jesus Cristo, seremos oprimidos pelo mundo. A Sagrada Escritura nos dize que o diabo é um bicho ardiloso que está ao nosso redor.
O Cristianismo só acontece na nossa vida quando dobramos os joelhos no chão e buscamos Deus. Buscai as coisas do Alto!
O Cristianismo é uma proposta maravilhosa, mas para aqueles que têm a coragem de enfrentar os desafios. Gente mole nunca vai poder acolher a Palavra do Senhor. Quando você acolhe a Palavra de Jesus, o beneficiado é você mesmo, porque sua vida vai mudar, vai ficar melhor, o seu coração vai ficar mais limpo. Coragem! Fazei tudo o que Ele vos disser! Esse conselho não tem erro, endireite os seus caminhos na direção do Senhor.
Imagens/Reprodução/Internet
sábado, 3 de outubro de 2015
terça-feira, 29 de setembro de 2015
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Reflexão
Um altar no ponto de ônibus – Pe. Fábio de Melo
De vez em quando eu me percebo acostumado aos absurdos do mundo, ou então incapaz de me alegrar com as alegrias que as esquinas resguardam. O motivo é simples. Sou contemporâneo. Estou exposto às demandas urgentes que meu contexto histórico me apresenta. Estou mergulhado nas estruturas deste mundo líquido, neste movimento de dias cuja metáfora é o fluir das águas que entre os dedos escapa.
As interpelações são muitas. Meu corpo único precisa administrar deslocamentos muitos. Discrepância que reconheço como revelação de uma realidade que me define como pessoa. Meu corpo é moderno, mas minha alma é antiga. Meu corpo é afeito às pressas, agendas, compromissos, aos passo que minha alma grita e reclama desejosa de calmaria.
Tenho encontrado muita gente sofrendo do mesmo mal. A origem de muitas angústias está diretamente ligada ao contexto de pressas e urgências que nos cercam. As cenas estão por todos os lados. Há sempre alguém estabelecendo o embate com o tempo. Gente que precisa articular as pressas do mundo com os desejos da alma.
Enquanto espero no meu carro o desenrolar do trânsito, olho para a mulher no ponto de ônibus. Presumo que esteja aguardando a condução que a conduzirá ao destino de sua casa. Os olhos parecem cansados com a espera. Deve ter passado o dia todo longe de seus significados, cuidando de filhos que não são seus, organizando a casa que não e a sua.
Eu a observo de longe. Vez em quando os seus olhos se perdem no pequeno relógio que está atado ao pulso. Olha como se quisesse paralisar o movimento dos ponteiros, que a envelhece. Olha como se desejasse fazer andar lento o tempo que lhe sobra pra estar com os seus. As sacolas plásticas segredam a pobreza do que ali se leva, mas não é intencional. A mulher não parece temer a revelação de sua simplicidade. Não há tempo para simulações. Tudo está à vista, pronto para ser desvendado, tal qual o enegrecimento do céu anunciando a chuva que virá.
A mulher e o tempo. Nela eu também me reconheço. Eu e minhas esperas. Inadequações. O que da vida desejo, o que da vida promovo.
A experiência nos ensina que nem sempre é possível viver conforme o desiderato. Desaprendemos a quebrar a prevalência das agendas sobre os anseios do espírito. Mas nesses intervalos de obrigações e compromissos quero que a alma permaneça desarmada. O cotidiano é prenhe de simbologias que nos propõem valores superiores, transcendentes. Pelas ruas das cidades há sempre um altar erigido, um púlpito de onde a existência nos alerta para os equívocos que cometemos. A vida dos outros a nos evangelizar. O grito profético que nos vem pela boca dos estranhos, pelos que nos despertam de nossas letargias, com o simples fato de viverem publicamente os mesmos erros que nós.
A mulher e suas sacolas plásticas. Dela, os filhos que não vejo, a família que espera o indulto das horas que os congregarão. Em breve a mãe reencontrará a vida que ama. A porta será fechada e o conteúdo da sacola encontrará o calor do fogo. A pobreza será esquecida, ainda que por breves momentos. A vida será bonita e valerá a pena num recanto que meus olhos não alcançarão. O poder sobrenatural do alimento. Vida humana sendo santificada mediante o rito que o amor sugere. A mesa será posta. As obrigações serão esquecidas. O banquete será servido. A poética do mundo estará no delicado da cena.
Os carros à minha frente se distanciam. Obedeço ao movimento que me convoca seguir adiante. Passo pelo ponto ônibus. A mulher continua olhando o seu pequeno relógio de pulso. Do retrovisor eu a vejo por uma última vez. Dobro a esquina. Uma alegria me visita. Eu encontrei o sentido da vida. No ponto de ônibus. Eu encontrei.
Pe. Fabio de Melo. In: É Sagrado Viver – Editora Planeta – 2012Imagens/Reprodução/Internet
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