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sábado, 19 de janeiro de 2019

A CAPACIDADE DE FAZER-SE UM ELOGIO

Eu sei que nós não estamos acostumados a fazer-se elogios. Quando foi a última vez que você se olhou no espelho e fez um elogio por uma conquista que você fez ou viveu, por ser quem você é pela história, pela soma de tudo, defeitos, qualidades, fracassos, vitórias. Quando foi a última vez que você ofereceu o conforto de se elogiar?

  
De vez em quando eu tenho o hábito de olhar para mim e apontar todos os defeitos que eu conheço, mas não tenho muito o hábito de reconhecer o que é bom e o que já está bonito. 
E como sou uma pessoa pública esbarro o tempo todo com elogios de pessoas que me admiram e sinto ás vezes que fico incomodado. Quando você está com alguém que te elogia demais você impede o assunto, mas não estou falando dos elogios que vem de fora, esse é bom receber, na medida certa, quando as pessoas não te idealizam, quando elas estão elogiando aquilo que você sabe que é verdade. Porque é muito desconfortável quando o outro elogia algo que não é verdadeiro em você, que ela imaginou que fosse, que é fruto da cabeça dela e não da sua realidade. 

Mas quando você identifica em si mesmo essa capacidade de fazer-se um elogio é muito bom. E eu digo isso porque é tão necessário e isso é um fruto da certeza do amor de Deus por nós, porque eu tenho pensado muito no processo humano enquanto um processo que Deus vai trabalhando dentro de nós, essa feliz oportunidade para acreditarmos nele, porque a fé em Deus é um fruto, um desdobramento natural da fé natural que vivemos no nosso dia a dia com pessoas que estão ao nosso redor. Porque fé em um primeiro momento é a confiança. E depois vamos evoluindo nessa confiança até o momento em que somos apresentados a Deus e você naturalmente vai associar o verbo confiar com tudo aquilo que você já aprendeu humanamente. Você vai entender o significado da confiança em Deus a partir do que você aprendeu do significado da confiança nas pessoas. Talvez seja por isso que fica tão difícil quando a pessoa não teve a experiência da confiança humana que foi muito desamparada quando criança.



 Eu tenho muito respeito por quem não crê em Deus porque é muito fácil ficar “vomitando” nossas regras e nossa religião em cima de pessoas que têm dificuldade de acreditar, porque desconhecemos a história dela. Às vezes, humanamente, foram tão fragilizadas por não ter a experiência da confiança que cresceram desacreditadas e inseguras. Porque quando não há confiança no outro devido à questões muito traumáticas, depois o crer em Deus se torna muito difícil para essas pessoas, então tenho um profundo respeito. Por isso, devemos ter um interesse pela história das pessoas para poder entender melhor o outro.

 Pe. Fábio de Melo


Fonte: http://www.fabiodemelo.com.br/a-capacidade-de-fazer-se-um-elogio/

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Pe. Fábio de Melo: "O amor humano tem a capacidade...


"O amor humano tem a capacidade de ser o amor de Deus na nossa vida por causa disso: porque ele nos elege! Por isso que é bom termos amigos, porque na verdade, as pessoas amigas antecipam no tempo, aquilo que acreditamos ser eterno… Quando elas são capazes de olhar para nós e descobrir o que temos de bonito. Mesmo que isso, as vezes costuma ficar escondido por trás daquilo que é precário. Por isso agradeço muito a Deus pelos amigos que tenho. Pelas pessoas que descobriram no que eu tenho de pior, uma coisinha que eu tenho de bom, e mesmo assim continuam ao meu lado, me ajudando a ser gente, me ajudando a ser mais de Deus, ajudando a buscar dentro de mim, a essência boa que acreditamos que Deus colocou em cada um de nós." 
Pe. Fábio de Melo

Trechos do livro Quem me roubou de mim?

Eu procuro por mim
Eu procuro por tudo que é meu e que em mim se esconde.
Eu procuro por um saber que ainda não sei, mais que de alguma forma já sabe em mim.
Eu sou assim...
processo constante de vir a ser.
O que sou e ainda serei são verbos que se conjugam sob a áurea de um mistério fascinante.
Eu me recebo de Deus e a ele me devolvo.
Movimento que não termina porque terminar é o mesmo que deixar de ser.
Eu sou o que sou na medida em que me permito ser.
E quando não sou é porque o ser eu ainda não soube escolher.

O amor talvez seja isso. Encontro de partes que se complementam, porque se respeitam. E, no ato de se respeitarem ampliam o mundo um do outro. O recém chegado não tem o direito de reduzir o mundo de quem se deixou encontrar. O amor não diminui, se multiplica.


Sempre que alguém chega em nossa vida nunca vem sozinho.

Ele traz o seu horizonte de sentido. Pessoas, coisas, valores, ideias. Traz o alicerce que o faz ser o que é.

Não é tão simples saber se o outro nos ama ou não, mas ha uma pergunta que podemos nos fazer e que contribuiria para que aproximássemos de uma resposta. Depois que ele chegou, a nossa vida, nosso mundo diminuiu ou dilatou-se?


Pe. Fábio de Melo


Fonte de pesquisa: Internet. 
Imagem: Google.

terça-feira, 6 de junho de 2017

"Misericórdia de Deus"

O primeiro movimento da misericórdia de Deus em nós é criar dentro do nosso coração a capacidade de amar e ser amado. E misericórdia é isso: ter um coração que ainda tem condição de acolher. Deus coloca em nós a dignidade humana, esse é o elo que nos prende a Ele. Caminhamos na certeza de que Deus está em nós. A opção de Deus por nós é definitiva. Precisamos responder a essa misericórdia. 
Pe. Fábio de Melo

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Saudade de Mãe Padre Fábio de Melo

Saudade de mãe é coisa sem jeito, chega quando menos
imaginamos: um cheiro, uma melodia, uma palavra… 
uma imagem, e eis que o cordão do tempo, 
nos convida ao retorno da infância.
Saudade de Mãe
Pe. Fábio de Melo

Coloquei o filtro da arte naquela cena comum, e a luz – que até então estava escondida -, veio surpreender-me com seu poder de claridade.

A mulher simples, mãos calejadas de lida rotineira,
mulher que aprendeu a curar as dores do mundo
a partir de meus joelhos esfolados de quedas e estrepolias.

Aquela mulher, minha mãe, rosto iluminado pela labareda que tinha origem no fogão de lenha. Trazia consigo o dom de me devolver a calma, que a vida tantas vezes insistiu em me roubar.

Aquela cena: mulher, fogão de lenha, panela preta escondendo a brancura de um arroz feito na hora. É uma das cenas mais preciosas que meu coração não soube esquecer.

Saudade de mãe é coisa sem jeito, chega quando menos imaginamos: um cheiro, uma melodia, uma palavra… uma imagem, e eis que o cordão do tempo, nos convida ao retorno da infância.

Como se um fio nos costurasse de novo ao colo da mulher que primeiro nos segurou na vida e agora nos pudesse regenerar. Saudade de mãe é ponte que nos favorece um retorno a nós mesmos; travessia que borda uma identidade muitas vezes esquecida, perdida na pressa que nos leva.

Saudade de mãe é devolução, é ato que restitui o que se parte;  é luz que sinaliza o local do porto, é voz no ouvido a nos acalmar nas madrugadas de desespero e solidão, través de uma frase simples: Dorme meu filho! Dorme!

Hoje, nesse dia em que a vida me fez criança de novo, neste instante em que esta cena feliz tomou conta de mim, uma única palavra eu quero dizer: Oh minha mãe, que saudade eu sinto de você!

 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Epifania – Pe. Fábio de Melo

Eu desfruto o sagrado dos dias. Sorvo a transcendência com a mesma naturalidade que respiro. Não me esforço para isto. Apenas obedeço aos comandos da alma, à voz calma que em mim clama por ritos santos.
Não me privo de esbarrar em Deus. Eu o experimento quando dobro os joelhos num ritual de prece, mas também quando derramo no prato claro uma concha de feijão escuro. Emociona-me a beleza das coisas. Comove-me a delicadeza divina, gesto generoso de deitar sobre o ordinário de minhas demandas o seu manto sagrado. 
É litúrgico viver. É o corpo que declara. Conhece o segredo dos místicos. Rezar o significado das horas, dividir o tempo, estender a renda sobre o altar, cobrir o corpo de paramentos, inspecionar urgências, solicitar a Deus o que desejamos de futuro e adorná-lo com os delicados laços da beleza. A amarra é redentora. É por meio dela que nos explicamos o passado. É miraculoso retornar. O já vivido recebe as abluções que perdoam. Nas águas do rio santo que corre em mim, mergulho minha humanidade. Quaro diariamente o encardido da alma. Exponho ao sol as nódoas que perturbam meu amor-próprio. Exorcizo a tentação de nivelar-me ao imundo do mundo. É necessário viver. Andar na direção de tudo o que me desperta os sentidos. Fomentar o sorriso dos que passam por mim. O esquartejamento das alegrias potencializa sua permanência. Dou-me aos outros sem prejuízo. É eucarístico amar. Tornar-me pão solidário que o outro mastiga para suportar viver. É confortante servir. É léxico divino se encarnando em parcelas humanas, propondo palavras, gritando verbos, inventando adjetivos que restauram a beleza dos que estão negados. É admirável observar. Sobre os altares profanados rostos desfigurados sugerem profecias. São verdades revolucionárias desconcertantes. 
Miseráveis imersos em misteriosas alegrias nos desinstalam. Carecem de tão pouco para sorrir. Um caixote à beira da estrada e uma lua no céu. Só isto. Tudo mais é invenção. O espírito livre enlaça os sonhos que o mundo desprezou. O ausente é inventado. O corpo que sonha recebe as recompensas do objeto sonhado. É necessário sonhar. Eleger no coração a fração da existência que ainda não sorveu o ar. 
Eu não desisto. O suave respiro do mundo sincroniza meus passos. Dou-me em segredo as anseios do coração indômito. Ele me consome. Sente dobrado tudo que o visita. Foi inoculado com o vírus da melancolia. Não me importo. Sofro de poesia. Sou arauto do Verbo que recebeu na carne o dolorimento da existência. É impossível não crer. As cenas da vida me pulverizam de fé. 
A mesa posta não comporta nobreza. A vitualha que está servida em nada me recorda os banquetes que já vi pelo mundo. Mas é minha. É o que tenho. Mais vale a simplicidade que apascenta do que o luxo que desgoverna. Eu aprendi com o tempo. Perder foi essencial. Ganhar também. Depois de tudo ter, saber relativizar o alcançado. Quanta liberdade careço ter para olhar com indiferença minha vitórias. Para os fracassos, também. 
A fachada de vidro conduz pela mão a paisagem para dentro da casa. Já não estou só. O gado que rumina ao longe me acompanha. A contemplação gera partilha. As distintas condições se complementam, como se proprusessem soluções aos conflitos do mundo. O gosto do pão com manteiga é acrescido pela cena rural desse lugar a que chamam de Sete Voltas. São bem mais que sete. Eu sei que são. As voltas bem mais que sete me envolvem e me cercam. Estou na casa que moro. Mais que isto. Estou na casa que mora em mim.
O verde ao longe é mastigado pelos animais num movimento que parece nunca terminar. O que aos meus olhos é beleza, para eles é sobrevivência. Sirvo-me de café recém-coado. O negro do líquido preenche o branco da louça. Contemplo o acontecimento. A beleza antecede a saciedade. Os olhos comem antes que a boca. É luminosa a fome. É epifânica, grandiosa, bíblica. 
O gado me recorda. Também eu careço ruminar nutrientes. O corpo vazio solicita repasto. Dou-lhe o que pede. É questão de sabedoria. A ancestralidade de minha condição me faz caçador. Para que a alma não se indisponha à beleza, o corpo carece ser alimentado. O sabor se mistura ao que sei sobre mim. A matéria nos encaminha aos labirintos do espírito. Juntamente com o pão trituro o sonho do dia. Almejo me possuir para depois me oferecer. Ser pão no banquete da amizade. É só o que quero. Descobri. 
Pe. Fábio de Melo. In: É Sagrado Viver. São Paulo: Planeta, 2012 
Fonte: https://perhappinessme.wordpress.com/2014/07/27/epifania-pe-fabio-de-melo/

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Reflexão

Um altar no ponto de ônibus – Pe. Fábio de Melo


De vez em quando eu me percebo acostumado aos absurdos do mundo, ou então incapaz de me alegrar com as alegrias que as esquinas resguardam. O motivo é simples. Sou contemporâneo. Estou exposto às demandas urgentes que meu contexto histórico me apresenta. Estou mergulhado nas estruturas deste mundo líquido, neste movimento de dias cuja metáfora é o fluir das águas que entre os dedos escapa.
As interpelações são muitas. Meu corpo único precisa administrar deslocamentos muitos. Discrepância que reconheço como revelação de uma realidade que me define como pessoa. Meu corpo é moderno, mas minha alma é antiga. Meu corpo é afeito às pressas, agendas, compromissos, aos passo que minha alma grita e reclama desejosa de calmaria.
Tenho encontrado muita gente sofrendo do mesmo mal. A origem de muitas angústias está diretamente ligada ao contexto de pressas e urgências que nos cercam. As cenas estão por todos os lados. Há sempre alguém estabelecendo o embate com o tempo. Gente que precisa articular as pressas do mundo com os desejos da alma.
Enquanto espero no meu carro o desenrolar do trânsito, olho para a mulher no ponto de ônibus. Presumo que esteja aguardando a condução que a conduzirá ao destino de sua casa. Os olhos parecem cansados com a espera. Deve ter passado o dia todo longe de seus significados, cuidando de filhos que não são seus, organizando a casa que não e a sua.
Eu a observo de longe. Vez em quando os seus olhos se perdem no pequeno relógio que está atado ao pulso. Olha como se quisesse paralisar o movimento dos ponteiros, que a envelhece. Olha como se desejasse fazer andar lento o tempo que lhe sobra pra estar com os seus. As sacolas plásticas segredam a pobreza do que ali se leva, mas não é intencional. A mulher não parece temer a revelação de sua simplicidade. Não há tempo para simulações. Tudo está à vista, pronto para ser desvendado, tal qual o enegrecimento do céu anunciando a chuva que virá.
A mulher e o tempo. Nela eu também me reconheço. Eu e minhas esperas. Inadequações. O que da vida desejo, o que da vida promovo.
A experiência nos ensina que nem sempre é possível viver conforme o desiderato. Desaprendemos a quebrar a prevalência das agendas sobre os anseios do espírito. Mas nesses intervalos de obrigações e compromissos quero que a alma permaneça desarmada. O cotidiano é prenhe de simbologias que nos propõem valores superiores, transcendentes. Pelas ruas das cidades há sempre um altar erigido, um púlpito de onde a existência nos alerta para os equívocos que cometemos. A vida dos outros a nos evangelizar. O grito profético que nos vem pela boca dos estranhos, pelos que nos despertam de nossas letargias, com o simples fato de viverem publicamente os mesmos erros que nós.
A mulher e suas sacolas plásticas. Dela, os filhos que não vejo, a família que espera o indulto das horas que os congregarão. Em breve a mãe reencontrará a vida que ama. A porta será fechada e o conteúdo da sacola encontrará o calor do fogo. A pobreza será esquecida, ainda que por breves momentos. A vida será bonita e valerá a pena num recanto que meus olhos não alcançarão. O poder sobrenatural do alimento. Vida humana sendo santificada mediante o rito que o amor sugere. A mesa será posta. As obrigações serão esquecidas. O banquete será servido. A poética do mundo estará no delicado da cena.
Os carros à minha frente se distanciam. Obedeço ao movimento que me convoca seguir adiante. Passo pelo ponto ônibus. A mulher continua olhando o seu pequeno relógio de pulso. Do retrovisor eu a vejo por uma última vez. Dobro a esquina. Uma alegria me visita. Eu encontrei o sentido da vida. No ponto de ônibus. Eu encontrei.
Pe. Fabio de Melo. In: É Sagrado Viver – Editora Planeta – 2012
Imagens/Reprodução/Internet

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Eu e o Tempo - Pe. Fábio de Melo

Eu na trilha incerta dos meus passos
Mergulhado no destino imenso dos meus sonhos
Vou percorrendo as estradas do mundo
Deitando a toalha branca sobre os altares da humanidade
E retirando do horizonte profano da vida
A matéria-prima que será sacralizada
Ele , o tempo, e seus movimentos de suas cirandas
Vida que se reveste de cores e estações litúrgicas
Que nos convida a celebrar
O específico de cada motivo
Tempo de preparo, de colheita, vida comum
Sopro do espírito, tempo de ressuscitar
Eu, sacerdote das divinas causas
Ele, sacerdote das humanas razões
Quando com ele posso, faço acordo
Sorrio com os motivos de suas alegrias
E poetizo as tristezas, que de suas mãos se desprendem
Mas quando com ele posso
Ah, quando com ele posso, eu dele me esqueço
E vivo

(Pe. Fábio de Melo)

sábado, 21 de junho de 2014


"Domingo é um dia especialmente reservado para que
 a alma se debruce na janela e veja 
Deus passar." 
Padre Fábio de Melo

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Pe. Fábio de Melo - Amar alguém



Na vida, a gente só sabe que ama alguém, a gente só tem o direito de dizer a alguém que a amamos depois de ter dito infinitas vezes a esse mesmo alguém a frase: eu perdoo você. Porque na verdade a gente só sabe que ama, depois de ter tido a necessidade de perdoar. Antes do perdão a gente pode ter admiração por alguém, mas admirar alguém ainda não é amar, porque admiração não nos leva a dar a vida pelo outro. Admiração é um sentimento, uma situação superficial, eu admiro aquela pessoa, mas eu sei que amo depois de ter olhado nos olhos, saber que errou, que não fez nada certo e ainda sim eu continuar dizendo que "eu não sei viver sem você", "apesar de ter errado tanto continuas sendo tão especial para mim". A gente sabe que ama as pessoas assim, depois de ter feito o exercício de olhar nos olhos no momento que ela não merece ser olhada e descobrir ainda ali uma chance, ainda não acabou. Coisa boa na vida é a gente encontrar gente que nos trate assim com esse nível de verdade, gente que nos conhece de verdade, que já foi capaz de conhecer todas as nossas qualidades, mas também todos os nossos defeitos, porque eu não sou só qualidades, eu tenho um monte de defeitos, e só me sinto amado no dia que o outro sabe dos meus defeitos e mesmo assim continua acreditando em mim, muitas vezes nosso amor não é assim, a gente ama o outro pelo que ele faz de certo ou de bom pra nós, e as vezes até elegemos o outro assim "ele é bom demais pra mim". E o dia que deixa de ser? Deixou de ser amigo? No dia que falhou, que errou, que esqueceu, no dia que não conseguiu acertar, continua tendo valor pra você? Ou você só ama aqueles que conseguem lhe fazer o bem? Jesus disse que não tinha mérito nenhum em amar aqueles que nos amam, que o mérito está em amar o outro mesmo quando ele não merece ser amado, eu sei que é um desafio, mas essa é tua religião.
Eu creio que não há descanso maior para o nosso coração do que encontrar alguém que nos ama assim, e eu gostaria que você levasse pra sua vida somente as pessoas que te amam assim, com essa capacidade de olhar nos teus olhos quando você não consegue fazer nada de certo, e mesmo assim continua sendo teu amigo e continua acreditando em você. Deixe entrar na sua vida, somente as pessoas que querem te fazer melhor, porque gente que nos diminui nós já estamos cheios. Amigos de verdade são aqueles que nos desafiam, são aqueles que nos momentos que estamos na lama, nos olham nos olham e dizem 'você não foi feito pra isso'. Amigo de verdade é aquele que olha nos olhos e nos coloca para sermos mais. Namorado de verdade é aquele que olha nos teus olhos e te respeita como mulher, que te acha linda, mas que te respeita como mulher porque sabe que tu és um coração que muito mais do que necessitado de ser abraçado e de ser tocado, é um coração que merece ser amado, e o amor vem antes do toque. Quem foi que disse que beijar na boca é declaração de amor? Pode até ser uma das demonstrações, mas eu tenho certeza que seu coração se sente muito mais amado no momento que você é olhado de um jeito certo, do que beijado de qualquer jeito! Antes de você entrar na vida de uma menina, olhe bem nos olhos dela e tente fazer com que ela descubra que você ama só olhando pra ela, olhe de um jeito que ela se sinta amada, e se você olhar do jeito certo, você não precisa ter ciúme, porque a mulher que for olhada de um jeito certo, nunca mais vai querer encontrar outro olhar. O homem que for olhado de um jeito certo, nunca mais vai querer outro olhar. Você ainda pode mudar o seu jeito de amar, você ainda pode mudar o seu jeito de viver, você ainda pode mudar o seu jeito de sorrir, você ainda pode perdoar aquele que você não quer perdoar, você ainda pode tratar bem aquele que você desprezou tanto, porque a vida ainda te dar a oportunidade de você se tornar muito melhor do que você é.

Padre Fábio de Melo 
Fonte: YouTube

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Trouxe flores... Pe. Fábio de Melo.

Eu sei que o sofrimento tem visitado o teu coração.
Não tenho muito o que dizer e é bom que seja assim.
Existem acontecimentos que não combinam com as palavras.
Foram feitos para o silêncio.
É neste momento que nós recorremos aos símbolos, às realidades
 que falam sem precisar dizer.
Trouxe flores... 

Pe. Fábio de Melo

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Cura Interior Pe. Fábio de Melo


Cura Interior
Pe. Fábio de Melo

Meu bom pastor te procuro nesta hora
Pra poder tocar nem que seja em tuas vestes
Me rendo a ti, sou ovelha machucada
Quero repousar, descansar em teu aprisco.
Neste pranto te entrego a minha prece e te peço: traze
alento em meu viver
Te suplico piedade, ó meu amigo, não me deixes
caminhar sem direção.
Em tuas mãos deposito minhas chagas
A raiz da dor, que entristece o meu sorriso
Existe em mim, tanta mágoa escondida
Que o tempo deixou e por isso eu te imploro.

Vem curar tudo o que em mim está ferido, vida nova
onde a morte trouxe a dor.
Vem tirar-me do sepulcro da tristeza, vem curar meu
coração meu bom pastor.

Vem curar tudo o que em mim está ferido, vida nova
onde a morte trouxe a dor.
Vem tirar-me do sepulcro da tristeza, vem curar meu
coração meu bom pastor.
Meu bom Senhor, como eu te amo e quero amar cada vez
mais
Faze em mim a tua obra e leva-me por onde quiseres
Meu bom pastor.Meu bom pastor 

Fonte: YouTube

Boa semana!


A cada missão eu recebo de Deus a oportunidade de ser melhor. Viver a verdade que anuncio, eis o desafio. 

-- Padre Fábio de Melo

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Deus não desiste de nós!


É tão bom a gente substituir os sentimentos negativos pelas verdades de Deus. É tão bom a gente substitui os nossos sentimentos mentirosos pelas verdades de Deus. As nossas mentiras que tantas vezes insistem em nos condenar são contrárias a essa certeza de que Deus não se cansa de nós. 
Oh minha gente, como é bom a gente ser amado por pessoas que não se cansam de nós. Como é bom a gente ser olhado por pessoas que sabem esperar pelo tempo que a gente precisa pras coisas porque só quem espera sabe conquistar.
 Eu costumo dizer e gosto de dizer sempre, que laços de parentesco não são certezas de que já estamos conquistados. O que faz diferença nesta vida é a conquista de todo dia e de toda hora. Ou você conquista os que você ama hoje ou daqui a pouco você é apenas parente dessas pessoas e nem sempre a gente ama os parentes que tem. 
As pessoas que fazem diferença na vida da gente são aquelas que nos conquistaram e onde é que mora a conquista? Na capacidade de olhar o outro e de permitir que ele seja ele e de interferir na vida dele pra que ele possa crescer com a nossa presença e com o nosso jeito de ser na vida dele. Aí está a beleza de acreditar no amor e na misericórdia de Deus.
Saber que esse Deus nos olha nos olhos e que sabe do nosso tempo e que espera por nós. Às vezes, nós não conseguimos viver a misericórdia na nossa vida por causa disso, a gente não sabe esperar e às vezes com nosso amor machucado, a gente impede o outro de ser de Deus. 
Em nome do amor, entramos na vida do outro e fazemos um estrago porque não sabemos ser para ele aquilo que Deus seria se estivesse no nosso lugar. Deus espera sempre. A gente, não. A gente desanima fácil uns dos outros, não é verdade? 
Eu já desanimei de tanta gente. Você já desanimou de tanta gente. E aí, como é que fica a misericórdia na vida daquela pessoa que a gente desanimou dela? Se ela não tem outro recurso, não chove o maná no quintal da vida dela, não há mares abrindo. 
O milagre mais bonito e concreto que nós podemos realizar na vida do outro é amor humano, esse sim abre mares, esse sim faz chover maná, outra coisa não. Acontecem coisas extraordinárias demais na sua vida, na minha não. O extraordinário, sabe o que que é?
É eu olhar pras pessoas que me amam e perceber que elas extraem de mim a minha melhor parte, isso sim é extraordinário porque eu vou sendo ressuscitado aos poucos e o outro quando não desanima de mim, coloca em mim um rastro de Deus.
Porque quanto mais eu amo e humanamente posso trazer o outro pra perto de mim, maior é a capacidade que Deus terá, maior é a possibilidade que Deus terá de agir na vida daquele que estamos acolhendo. 
Eu sei que você tem mil e uma razões pra não acreditar mais em tantas coisas. Eu sei que você tem razões pra você desanimar de quem você é.  Eu sei que você tem razões pra desanimar dos seus sonhos, mas eu gostaria de lhe pedir: me deixa ser Jesus pra você agora. 
Vai lá, leve isso a sério, me deixa ser Jesus pra você agora. Eu iria dizer apenas uma frase: ELE AINDA ESPERA POR VOCÊ! ELE AINDA NÃO DESISTIU DE VOCÊ! 
Porque Ele tem razões de sobra pra lhe amar. Se eu não tenho razões pra acreditar em você, Ele tem razões de sobra. 
E se Ele acredita em você, quem sou eu pra duvidar agora!? 
Se Ele ainda espera por você, quem sou eu pra não esperar também e dizer: “Que Eu espero por você! Não me canso de esperar! A porta aberta vou deixar, se quiser pode voltar. E Eu espero por você! E não me canso de esperar!  Meu coração se alegrará quando você se aproximar.”

(Padre Fábio de Melo)

terça-feira, 15 de abril de 2014

♫ Humano demais - Pe. Fábio de Melo


Eu fico tentando compreender
o que nos teus olhos pôde ver
Aquela mulher na multidão
Que já condenada acreditou
Que ainda havia o que fazer
que ainda restara algum valor
E ao se prender em teu olhar
por certo haveria de vencer
E assim fizeste a vida retornar aos olhos dela
E quem antes condenava se percebe pecador
Teu amor desconcertante
força que conserta o mundo
Eu confesso não saber compreender

Sou humano demais pra compreender
humano demais pra entender
Este jeito que escolheste de amar quem não merece
Sou humano demais pra compreender
humano demais pra entender
Que aqueles que escolheste e tomaste pela mão
Geralmente eu não os quero do meu lado

Eu fico surpreso ao ver-te assim
trocando os santos por Zaqueu
E tantos doutores por Simão
alguns sacerdotes por Mateus
E, mesmo na cruz, em meio a dor
Um gesto revela quem tu és
Te tornas amigo do ladrão
só pra lhe roubar o coração

E assim foste o contrário, o avesso do avesso
E por mais que eu me esforce
Não sei bem se te conheço
Tu enxergas o profundo, Eu insisto em ver a margem
Quando vês o coração, Eu vejo a imagem

terça-feira, 8 de abril de 2014

'Virar a página, recomeçar...'


"Tenho aprendido que o direito de colocar uma pedra sobre o erro faz parte de toda experiência de reconciliação pessoal… Virar a página, recomeçar, esquecer o peso de um deslize é fundamental para que a pessoa possa ser capaz de reassumir a vida depois da queda." 

Pe. Fábio de Melo

quarta-feira, 12 de março de 2014

O Evangelho nos permite ficarmos próximos uns dos outros

O ressuscitado está entre nós e o proclamamos liturgicamente quando dizemos: "Ele está no meio de nós". A Canção Nova só pode estar em São Paulo, porque nós acreditamos na força desta invocação litúrgica.

A Igreja se desdobra na sua ação ministerial e na sua ação sacramental, porque ela é a primeira representante desse desdobramento. Essa foi a ordem de Jesus a Pedro no momento em que o coloca no seu desdobramento direto da sua missão: "E eu te declaro: 'Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (São Mateus 16,18).



Você não pode construir uma casa sobre as águas, mas pode buscar a pedra. Jesus retira Simão das águas; aí está todo o significado da vida sacramental.

Nós nos transformamos naquilo que comemos. Jesus se utiliza do alimento da ceia para mostrar como é que Ele estará presente em nós. A Eucaristia é aquele momento derradeiro, onde Jesus não tem mais um corpo, porque agora a sua presença é gloriosa. Então, Ele diz: "Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: 'Tomai e comei, isto é meu corpo'" (Mateus 26,26).

Eu o retiro da água e o coloco no sustento de Pedro. Continue nele, continue nesta comunhão eclesial, sacramental, siga nos mesmos passos, porque isso é caminho de salvação, é o sinal de que estamos no caminho certo. Eucaristia é isso. Cristo não está ausente, nós é que não podemos vê-lo com os nossos olhos, assim como eu posso ver você. A presença da Igreja no mundo apressa este retorno, é esperança de vida eterna que os nossos olhos ainda não podem contemplar.

É difícil ficar diante das propostas de Jesus e não ser tocado por Ele, pois a Sua missão não começa com pessoas perfeitas. O reino de Deus começa quando eu me coloco no lugar do outro; e se o nosso olhar é de igual para igual, tudo muda.


A missão que eu tenho de viver é amar quem não merece ser amado. Muitas vezes, pensamos que no Cristianismo encontraríamos glamour, mas de repente Deus me mostra que o meu Cristianismo é muito diferente, porque eu tenho que amar as pessoas que eu não suporto.

Jesus trazia as pessoas para perto d'Ele sem medo de quem elas eram. Ele se abaixou enquanto traziam aquela mulher para ser apedrejada e o pior é que ela sabia que seria morta, pois tinha "culpa no cartório". O poder opressor da culpa estava sobre ela. Nós religiosos temos o mau hábito de provocar culpa quanto deveríamos provocar arrependimento. Para aquela mulher não havia outra coisa senão a morte, e ela conhecia a lei, por isso estava curvada sob o peso da culpa. Mas Jesus faz uma pergunta muito simples aos agressores dela: "Quem de vocês nunca falhou na vida ou, arrependido, não quis voltar?". Isso era tudo o que aquela mulher precisava escutar e a direção que Jesus lhe deu não foi a mesma dos moralistas que ali estavam, porque o processo de salvação na vida dela já estava acontecendo.

Naquele momento, todo mundo se recordou de seus erros e ficaram paralisados com um discurso humanizador. No momento em que todos se reconheceram no mesmo lugar que aquela mulher, eles viraram as costas e saíram. A Eucaristia que Jesus ainda não tinha realizado, ela experimentou. "Eu não vim para os santos, mas para os que estão doentes, para os miseráveis.

O destino da missão de Jesus é você. Pense no que aconteceu no coração daquela mulher; de renegada, a convidada a um lugar nobre no banquete.

Eu posso morrer errando, mas quero morrer nos braços da misericórdia. Peço a Deus que Ele nunca permita que eu olhe para alguém com desdém, porque eu não quero ser um instrumento de juízo, mas de salvação. E dizer: "Eu lhe perdoo em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo. Vá e não volte a pecar”.

Hoje, a Canção Nova tem anunciado ao mundo a Boa Nova, e a nossa missão está ligada à missão de Jesus. Hoje, a Boa Notícia está batendo à sua porta.

Sabe o que é mais bonito? É saber que você é portador desta notícia também, pois as pessoas estão precisando de um olhar seu que transmita Jesus.


Descubra que o bonito do Evangelho nos permite ficar próximos uns dos outros. A Canção Nova não engoliu a verdade suprema, estamos ainda em processo de conhecimento e o anúncio deve ser de misericórdia. Ou então vamos contrariar aquilo que Jesus pediu de nós. Se algum dia eu me esquecer de que Deus me ama, então não poderei mais anunciar.

Não podemos anunciar uma superioridade religiosa que não faz bem a ninguém. É muito fácil sermos diabólicos jogando o outro na lama. Eu preciso viver para estabelecer comunhão. Eu vou viver para que o meu lar seja melhor, vou assumir com Jesus e procurar onde existe alguém que precise de um lugar salvífico, porque Deus não tem outro objetivo no mundo senão o de colocar você em pé.

A missão da Canção Nova é anunciar que Deus nos ama e nos quer de pé, é dar a nós uma frase que faça o nosso coração acordar. Como é difícil acreditar nessa verdade! Mas a força do ressuscitado em nós é para nos libertar de todos os pesos.

Precisamos nos sentir amados por Deus. E quando temos a consciência de que não somos qualquer coisa, mesmo que tenhamos cometido muitos erros, sabemos que o amor de Deus é muito maior que os nossos erros. Nós precisamos colocar os nossos pés nesta verdade.

Eu lhe convido a olhar Jesus nos olhos, porque n'Ele toda a culpa pode ser dissolvida. Peça ao Senhor que Ele transforme a sua culpa em arrependimento. Busque, dentro de você, essas culpas e as examine, porque elas estão na mira da misericórdia. Depois que você fizer isso, ninguém o humilhará mais.


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Padre que evangeliza como cantor, compositor, escritor e apresentador do programa "Direção espiritual" na TV Canção Nova.  

Padre Fábio de Melo 


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

“A felicidade é um dom”

A felicidade é um dom, que todo mundo precisa ter,
todo mundo recebeu, é aquela velha pergunta:
O que é que você esta fazendo com a seu dom de ser feliz ?
Esta gastando a vida onde? 
Está gastando a vida de que forma?
Está fazendo da vida uma experiência que vale a pena ou não? 
Hoje é dia, hoje é dia de reafirmar o seu compromisso

com a sua felicidade, com sua realização....
Conceito de felicidade é muito mais, 

é muito mais do que nós podemos imaginar, 

conceito de felicidade esta diretamente 
ligada a realização, realizado inteiro, por isso tem que
andar mais devagar, porque na pressa você 
pode perder o dom de ser feliz .

Pe. Fábio de Melo

sábado, 14 de dezembro de 2013

"...Sou padre, sou sagrado..."

“... Sou padre, sou sagrado e sou feliz por ser.
 Não me penso vivendo outra realidade, 
 nem tampouco sendo outra coisa..." 
Pe. Fábio de Melo