Mostrando postagens com marcador Livro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Livro. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Trechos do livro Quem me roubou de mim?

Eu procuro por mim
Eu procuro por tudo que é meu e que em mim se esconde.
Eu procuro por um saber que ainda não sei, mais que de alguma forma já sabe em mim.
Eu sou assim...
processo constante de vir a ser.
O que sou e ainda serei são verbos que se conjugam sob a áurea de um mistério fascinante.
Eu me recebo de Deus e a ele me devolvo.
Movimento que não termina porque terminar é o mesmo que deixar de ser.
Eu sou o que sou na medida em que me permito ser.
E quando não sou é porque o ser eu ainda não soube escolher.

O amor talvez seja isso. Encontro de partes que se complementam, porque se respeitam. E, no ato de se respeitarem ampliam o mundo um do outro. O recém chegado não tem o direito de reduzir o mundo de quem se deixou encontrar. O amor não diminui, se multiplica.


Sempre que alguém chega em nossa vida nunca vem sozinho.

Ele traz o seu horizonte de sentido. Pessoas, coisas, valores, ideias. Traz o alicerce que o faz ser o que é.

Não é tão simples saber se o outro nos ama ou não, mas ha uma pergunta que podemos nos fazer e que contribuiria para que aproximássemos de uma resposta. Depois que ele chegou, a nossa vida, nosso mundo diminuiu ou dilatou-se?


Pe. Fábio de Melo


Fonte de pesquisa: Internet. 
Imagem: Google.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

É SAGRADO VIVER


A voz da mulher solicita ao filho que atravesse a rua com cuidado. Enquanto fala, ajeita o casaco sobre o corpo miúdo que nasceu de suas entranhas. Muitos amigos o esperam. A mulher se apressa numa íntima recomendação. As poucas palavras resguardam preocupações. Ele não ouve. Já está envolvido pelos outros meninos que com ele comemoram os motivos que lhes são particulares. O beijo na testa o alforria para a travessia. Abraçado a uma mochila de lona azul, o menino corre na direção do ônibus que o levará ao destino que desconheço. 
O corpo materno se encosta no carro. Parece rendido, cansado, como se a entrega do filho ao ônibus finalizasse um doloroso ritual de preparo. Com uma das mãos amparando a boca, enquanto a outra abre estradas pelos cabelos, ela acompanha todos os movimentos do menino. Só Deus conhece os sentimentos que lhe ocorrem. As amarras do amor a inflamam. Há elos humanos que só um coração materno pode experimentar. É incomensurável o vínculo que os congrega. O corpo filial é um desdobramento físico do seu. Ossos nascidos de seus ossos, carnes extraídas das suas, sangue retirado de seu sangue. Uma geografia humana desmembrada, como gleba que se desprende do continente assumindo a condição insular.
As liturgias do tempo. O corpo menino a viver o inevitável destino de crescer, assumir autonomia, ser convidado a uma programação que não a inclua, entrando em veículos que o levam para longe do ventre que o trouxe ao mundo. O broto crescido, o organismo que assume aos poucos a condição de totalmente outro, uma idiossincrasia sendo desvelada, atravessando a rua, buscando caminhos que não a comportam. As vozes do mundo clamando pelo seu filho, levando-o para longe dos olhos que velaram incansavelmente para que sobrevivesse ao mínimo dos perigos que poderiam ceifá-lo antes do tempo.
O ônibus se afasta. A mulher arrisca um último aceno. A mão desenha no ar um movimento que só a alma compreende. A simbiose segue o curso de outros recursos. Depois de expulso do ventre, o filho carrega consigo as amarras delicadas da pertença. É a ciranda do amor, o movimento que se opõe ao desdobramento físico. Enquanto as carnes se expulsam para que se assumam autônomas, uma sutura espiritual os coloca em definitiva comunhão. A mão materna, ainda que não achada pela mirada do filho, continua o aceno que só ela vê. É certo que o gesto está preso ao sentimento que a encorajou a expor a cria ao temporário do afastamento. O menino voltará. É certo que voltará. Terminado o dia, ela o recolherá cansado das alegrias que só alegram porque passam. Voltará necessitado de banho quente, toalhas limpas, desejoso de colo, abraços que o devolvam à segurança da cumplicidade que só o lar bem edificado pode lhe dar. A mulher o receberá. Retomará a tutela que lhe atribui sentido. Amará o amor que tem o dom de carbonizar na alma a semelhança que o tempo não apaga. Investigará cada centímetro de seu desdobramento à caça de arranhões que careçam de cuidado.
A cena se desfaz. Ônibus e mulher se distanciam de meus olhos. Não posso reter o instante. O acaso me permitiu contemplar a agenda daquele amor. Retomo meu destino. As ruas repletas não me permitem demora na despedida presenciada. O cotidiano me absorve. Um engasgo de emoção me recorda a condição de vivente. A vida me afeta. Sorrio sozinho ao reconhecer que os detalhes do mundo ainda me assombram. Não sou indiferente às transcendências da cidade, ao milagre que estraçalha o espelho dos dias e vem lavar meus olhos com sua luz delicada.
É diante do natural que minha alma se ajoelha. Rende-se ao simbólico das vias térreas, à trama de ouro que sustenta o ordinário da vida, à luz batismal que banha o paganismo dos séculos, o detalhe divino que minha alma reconhece e absorve.
Sigo meu caminho. A luz da manhã reveste a cidade com cores recém-nascidas. O alaranjado das horas me inspira renascimento, Ardem diante de mim as epifanias do mundo. Meus olhos ultrapassam a matéria finita dos corpos, o concreto dos muros. Prescruto e ultrapasso a côdea da concretude de todos os seres criados. Toda a realidade espiritual das coisas, a alma que sustenta as cenas humanas, o centro onde pulsa o significado de tudo. Eu ando pelas ruas. Todas as vozes salmodiam comigo. É sagrado viver!

Padre Fábio de Melo, do livro "É Sagrado Viver"

Fonte: INFINITO PARTICULAR

quinta-feira, 21 de março de 2013

RETORNO












Somente depois de ter andado por terras estranhas 
É que pude reconhecer a beleza de minha morada. 
A ausência mensura o tamanho do local perdido 
Evidencia o que antes estava oculto, 
por força do costume. 
Olhei minha mãe como se fosse a primeira vez. 
Olhei como se eu voltasse a ser criança pequena 
A descobrir-lhe as feições tão maternas. 
Abri o portão principal como quem abria 
Um cofre que resguardava valores incomensuráveis. 
As vozes de todos os dias estavam reinauguradas. 
Deitei-me no colo de minha mãe como se quisesse 
Realizar a proeza de ser gerado de novo. 
Suas mãos sobre os meus cabelos pareciam devolver-me 
A mim mesmo. 
Mãos com poder de sutura existencial... 
Era como se o gesto possuísse voz, capaz de me dizer: 
dorme meu filho, porque enquanto você dormir 
Eu lhe farei de novo. Dorme meu filho, dorme... 

[Livro: Quem me roubou de mim?] 

Padre Fábio de Melo

domingo, 17 de março de 2013

Boa reflexão!...



Não sofra tanto de juventude.

Dar um passo na direção desejada já é chegar!

Toda perda sempre esconde um ganho!

Você sabia que a ira nos cega para a sabedoria?

E o pior, faz com que o nosso inimigo prevaleça. 
A raiva nos retira a capacidade de analisar as palavras que nos desafiam. 
Manter a calma pode nos ajudar a compreender melhor o porquê do desconforto!

Há sempre um perigo no amor que tem utilidade... No dia em que deixa de ser (útil), 
mandamos embora, dispensamos.

[Trechos do Livro: “Tempo de Esperas"] 
Padre Fábio de Melo