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quinta-feira, 21 de março de 2013
RETORNO
Somente depois de ter andado por terras estranhas
É que pude reconhecer a beleza de minha morada.
A ausência mensura o tamanho do local perdido
Evidencia o que antes estava oculto,
por força do costume.
Olhei minha mãe como se fosse a primeira vez.
Olhei como se eu voltasse a ser criança pequena
A descobrir-lhe as feições tão maternas.
Abri o portão principal como quem abria
Um cofre que resguardava valores incomensuráveis.
As vozes de todos os dias estavam reinauguradas.
Deitei-me no colo de minha mãe como se quisesse
Realizar a proeza de ser gerado de novo.
Suas mãos sobre os meus cabelos pareciam devolver-me
A mim mesmo.
Mãos com poder de sutura existencial...
Era como se o gesto possuísse voz, capaz de me dizer:
dorme meu filho, porque enquanto você dormir
Eu lhe farei de novo. Dorme meu filho, dorme...
[Livro: Quem me roubou de mim?]
Padre Fábio de Melo
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Padre Fábio de Melo-Quem me roubou de mim...
No aprimoramento da visão que
temos do outro seremos capazes
de identificar o quanto amamos,
ou não. Quem ama quer
conhecer. O objetivo é simples:
acrescentar, multiplicar em vez de
subtrair. Não é tão simples saber
se o outro nos ama ou não, mas
há uma pergunta que podemos
nos fazer: Depois que ele chegou,
a nossa vida, o nosso mundo,
diminuiu ou dilatou-se?
Pe. Fábio de Melo (Quem me roubou de mim?)
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