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quarta-feira, 26 de junho de 2013

É SAGRADO VIVER


A voz da mulher solicita ao filho que atravesse a rua com cuidado. Enquanto fala, ajeita o casaco sobre o corpo miúdo que nasceu de suas entranhas. Muitos amigos o esperam. A mulher se apressa numa íntima recomendação. As poucas palavras resguardam preocupações. Ele não ouve. Já está envolvido pelos outros meninos que com ele comemoram os motivos que lhes são particulares. O beijo na testa o alforria para a travessia. Abraçado a uma mochila de lona azul, o menino corre na direção do ônibus que o levará ao destino que desconheço. 
O corpo materno se encosta no carro. Parece rendido, cansado, como se a entrega do filho ao ônibus finalizasse um doloroso ritual de preparo. Com uma das mãos amparando a boca, enquanto a outra abre estradas pelos cabelos, ela acompanha todos os movimentos do menino. Só Deus conhece os sentimentos que lhe ocorrem. As amarras do amor a inflamam. Há elos humanos que só um coração materno pode experimentar. É incomensurável o vínculo que os congrega. O corpo filial é um desdobramento físico do seu. Ossos nascidos de seus ossos, carnes extraídas das suas, sangue retirado de seu sangue. Uma geografia humana desmembrada, como gleba que se desprende do continente assumindo a condição insular.
As liturgias do tempo. O corpo menino a viver o inevitável destino de crescer, assumir autonomia, ser convidado a uma programação que não a inclua, entrando em veículos que o levam para longe do ventre que o trouxe ao mundo. O broto crescido, o organismo que assume aos poucos a condição de totalmente outro, uma idiossincrasia sendo desvelada, atravessando a rua, buscando caminhos que não a comportam. As vozes do mundo clamando pelo seu filho, levando-o para longe dos olhos que velaram incansavelmente para que sobrevivesse ao mínimo dos perigos que poderiam ceifá-lo antes do tempo.
O ônibus se afasta. A mulher arrisca um último aceno. A mão desenha no ar um movimento que só a alma compreende. A simbiose segue o curso de outros recursos. Depois de expulso do ventre, o filho carrega consigo as amarras delicadas da pertença. É a ciranda do amor, o movimento que se opõe ao desdobramento físico. Enquanto as carnes se expulsam para que se assumam autônomas, uma sutura espiritual os coloca em definitiva comunhão. A mão materna, ainda que não achada pela mirada do filho, continua o aceno que só ela vê. É certo que o gesto está preso ao sentimento que a encorajou a expor a cria ao temporário do afastamento. O menino voltará. É certo que voltará. Terminado o dia, ela o recolherá cansado das alegrias que só alegram porque passam. Voltará necessitado de banho quente, toalhas limpas, desejoso de colo, abraços que o devolvam à segurança da cumplicidade que só o lar bem edificado pode lhe dar. A mulher o receberá. Retomará a tutela que lhe atribui sentido. Amará o amor que tem o dom de carbonizar na alma a semelhança que o tempo não apaga. Investigará cada centímetro de seu desdobramento à caça de arranhões que careçam de cuidado.
A cena se desfaz. Ônibus e mulher se distanciam de meus olhos. Não posso reter o instante. O acaso me permitiu contemplar a agenda daquele amor. Retomo meu destino. As ruas repletas não me permitem demora na despedida presenciada. O cotidiano me absorve. Um engasgo de emoção me recorda a condição de vivente. A vida me afeta. Sorrio sozinho ao reconhecer que os detalhes do mundo ainda me assombram. Não sou indiferente às transcendências da cidade, ao milagre que estraçalha o espelho dos dias e vem lavar meus olhos com sua luz delicada.
É diante do natural que minha alma se ajoelha. Rende-se ao simbólico das vias térreas, à trama de ouro que sustenta o ordinário da vida, à luz batismal que banha o paganismo dos séculos, o detalhe divino que minha alma reconhece e absorve.
Sigo meu caminho. A luz da manhã reveste a cidade com cores recém-nascidas. O alaranjado das horas me inspira renascimento, Ardem diante de mim as epifanias do mundo. Meus olhos ultrapassam a matéria finita dos corpos, o concreto dos muros. Prescruto e ultrapasso a côdea da concretude de todos os seres criados. Toda a realidade espiritual das coisas, a alma que sustenta as cenas humanas, o centro onde pulsa o significado de tudo. Eu ando pelas ruas. Todas as vozes salmodiam comigo. É sagrado viver!

Padre Fábio de Melo, do livro "É Sagrado Viver"

Fonte: INFINITO PARTICULAR

sábado, 25 de maio de 2013

Acampamento do Sagrado Coração

Acampamento do Sagrado Coração Baixe pregações dos padres Fábio de Melo e Joãozinho Entre os dias 31 de maio e 2 de junho acontece na sede da Comunidade Canção Nova o Acampamento do Sagrado Coração de Jesus, que traz entre os pregadores o padre Fábio de Melo e o padre Joãozinho.

Padre Fábio de Melo, em uma de suas pregações fala a respeito do processo de restauração que todos nós devemos passar: “A dinâmica do Coração de Jesus é para entrarmos no processo de restauração. Meu pai era pedreiro e dizia sempre que era mais fácil construir do que reformar. Descobrimos que a nossa casa precisa de reforma para ser casa, habitação de Deus. E precisamos admitir que a casa que nós somos precisa de melhoria, senão, impedimos a manifestação grandiosa de Deus em nossa vida.”

Padre Fábio e padre Joãozinho
Foto: Arquivo / Fotos CN
 “A promessa de Jesus é: “Estarei convosco até os fins dos tempos”. A primeira dimensão do Coração de Jesus é que Ele é uma porta por onde podemos entrar, e a segunda dimensão é da humildade, da reparação. O Coração de Jesus nos acolhe n'Ele e nos restaura. Ele que consertou cadeiras, quer consertar você. Ele consertou Pedro, João e outros discípulos, só não consertou um porque este lhe deu as costas [Judas]. Não dê as costas a Jesus! Vivemos o mistério da solidariedade espiritual, o mundo seria muito melhor se entendêssemos esse mistério, o da caridade e da verdade. O Coração de Jesus é aberto e verdadeiro, e nós colocamos fé nessa verdade, e queremos mudar o mundo com um civilização da verdade,” exorta padre Joãozinho que na noite de sábado estará lançando o DVD “Canções de Cura”. Envie para o webeventos@cancaonova.com o seu testemunho com o Sagrado Coração de Jesus.
Fonte: CançãoNova

quinta-feira, 28 de março de 2013

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Padre Fábio de Melo - Lançamento do CD Estou aqui



Padre Fábio de Melo - Estou Aqui

O bom filho à casa torna. Mesmo aqueles que nunca saíram de fato da casa, como o Padre Fábio de Mello. Mas neste 16º CD em 15 anos de carreira, os caminhos de cantor o levaram a abrangência além de canções religiosas. Estou Aqui marca, assim, seu retorno por inteiro em 13 músicas aos temas religiosos, que são parte de sua conversão e fazem valer seu aposto “Poeta do Evangelho”.

Uma hora e três minutos de temas elevatórios, batizados com uma frase e título de canção que o padre diz ser muito significativo, “Estou Aqui”, de Roberto e Erasmo Carlos.

“É um atrevimento regravar Roberto (Carlos). Mas corri o risco com muita alegria, pois a música está no meu coração. Estou Aqui é uma expressão que gosto muito, é simbólica, reporta a disponibilidade, responsabilidade e minha identidade sacerdotal”, diz o padre.

Como cantor, fez justiça à composição original. E criou um clima belíssimo e envolvente para a letra com piano e violão em primeiro plano.

Antes disso, o disco abre com uma homenagem à Jornada Mundial da Juventude, “A Esperança Entre Nós”, canção que dá o tom do trabalho e da comunhão que permeia o CD, com vocal dividido entre o padre, Adriana Arydes, Leandro Santos, Lucimare Nascimento e Olivia Ferreira.

A crocância do disco é garantida pelo bom gosto do padre na escolha do repertório e arranjos, executados por Bozo Barretti e Mauricio Piassarollo, e a batuta do produtor Guto Graça Mello.
“Admiro o Guto há muitos anos, e tinha certeza que quando trabalhasse com ele faria o melhor disco da minha carreira”, afirma o padre.

Assim, “Estou Aqui” é climático em canções marcadas por saxofone como “Nunca Pare de Lutar” e “Espírito Santo Repousa”. A última, uma das duas inéditas, ao lado de “Abrindo Mares”, igualmente climática.

O trabalho caminha pela percussão e violão de aço (e arranjo vocal primoroso) em “Seu Amor É Demais”, e tem o estofo na íntegra das Cordas da Orquestra Sinfônica de Heliópolis.

O trabalho da orquestra se torna marcante ao lado da voz do padre em “Ao Coração” e “Diante do Rei”, que também tem reforço de trompete e trombone. Se nesta a música a magia acontece em crescente, em “Tom de Calma” o efeito é suingado ao lado de guitarra.

Já em “Simplesmente José”, o instrumento de seis cordas é deixado de lado em versão jazzística de bateria e baixo. Violão e piano e cordas dão o tom em “Guardião” e “Lugares”, e mais uma vez a vibração contagiante à casa torna com o gran finale, “Faço Novas Todas as Coisas”.

Clima para cima, leveza, energia marcante passeiam pelos ouvidos ao final da hora e pouco, e mostra o acerto do padre no retorno.

Repertório

01. A Esperança Entre Nós
02. Estou Aqui
03. Nunca Pare de Lutar
04. Seu Amor É Demais
05. Ao Coração
06. Abrindo Mares
07. Diante do Rei
08. Guardião
09. Lugares
10. Simplesmente José
11. Tom de Calma
12. Espírito Santo Repousa
13. Faço Novas Todas as Coisas
Classificação: Livre.
Meia Entrada: Idosos, estudantes, assinantes O Globo e NET têm 50% de desconto.
Ponto de venda sem taxa de conveniência:
Bilheteria Theatro NET Rio todos os dias das 10:00 às 22hrs.

Fonte: Site Ingresso Rápido

sábado, 29 de setembro de 2012

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Pe Fábio de Melo – Tudo é do Pai

Eu pensei que podia viver, por mim mesmo
Eu pensei que as coisas do mundo
Não iriam me derrubar
O orgulho tomou conta do meu ser
E o pecado devastou o meu viver
Fui embora, disse ao Pai, dá-me o que é meu!
Dá-me a parte que me cabe da herança
Fui pro mundo
Gastei tudo
Me restou só o pecado
Hoje eu sei que nada é meu
Tudo é do Pai
(refrão)
Tudo é do Pai
Toda honra e toda glória
É dele a vitória
Alcançada em minha vida
Tudo é do Pai
Se sou fraco e pecador
Bem mais forte é o meu Senhor
Que me cura por amor. (bis)

Veja o clip do Pe Fabio de Melo com a musica” Tudo e do Pai”

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Mensagem do Pe. Fábio de Melo


 amor é equação onde prevalece
 a multiplicação do  perdão.
 Você o percebe no momento
 em que o outro fez  tudo errado,
 e mesmo assim você olha
 nos olhos dele e  diz:
“Mesmo fazendo tudo errado
 eu não sei viver sem você.”

 (Pe. Fábio de Melo)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Filhos do Céu-Padre Fábio de Melo

Aquilo que você está vivendo, o peso que você está carregando, não é nada comparado a alegria que te espera. Em março quando meu pai deu o seu último suspiro, eu estava lá com ele, mas por covardia não tive coragem de segurar na matexperiilde;o dele, por medo de ver agonia que ele estava vivendo. Nove de abril, terra boa no Paraná, recebi a noticia de que minha irmã estava morta, e o dia 15 de dezembro o dia em que eu comemorava o meu aniversário de ordenação, a dor mais recente, quando o meu amigo Robinho (Cantores de Deus) não conseguiu mais, o câncer foi maior que ele. E alguns dias depois uma outra experiência que eu vivi, mas que não quero falar aqui, mas em uma outra ocasião, meu amigo padre Léo. Mas vou me prender nessas três... Quando alguém morre, levamos certo tempo, sem entender, sem acreditar. Leva tempo para acontecer dentro de nós, a gente leva um tempo dizendo ‘eu não acredito’. Você fica o tempo todo ruminando aquele acontecimento, porque a vida leva tempo para acontecer dentro de nós. Nós levamos tempo para organizar o luto, levamos tempo para descobrir que aquela pessoa não faz mais parte da nossa vida mesmo. E a gente começar a recolher no espaço que era dele e nosso também, as coisas que ficaram. Você abre uma gaveta, e coisas pequenas, bobas, um bilhetinho, que antes não teria valor nenhum, mas porque ele foi embora, foi revestido por uma sacralidade que dinheiro no mundo que pague aquele bilhete. Ai se alguém fizer uma limpeza nas nossas gavetas e começar jogar fora o que pra nós é sacramental, porque é um jeito que a gente tem de fazer o outro sobreviver. Eu comecei a entender e ajuntar com as várias oportunidades que Deus me deu de viver a experiência do sábado santo. Por isso eu quis contar essas três histórias para vocês e proclamar essa palavra de São Paulo aos Romanos que diz: “Porque para mim, tenho por certo, que os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com a glória por vir a ser revelada em nós.” Descubra o que hoje lhe mata, descubra o que hoje lhe faz sofrer e você de alguma maneira poderá intuir e descobrir aquilo que te fará vencedor amanhã. Há duas formas de vivermos o processo da morte, ou o processo do sofrimento: ou nós nos entregamos a ele, ou nós experimentamos a ressurreição, que pode ser exalada aos poucos. O céu começa nas pedras, por isso, o Sábado Santo é ainda tempo de silêncio e contemplação, porque o nosso Mestre ainda está morto. Os discípulos viveram ontem, vamos voltar no tempo. Você já tem a certeza da ressurreição, os discípulos não tinham. No dia anterior os seus discípulos viram o seu Mestre ser morto. Eles que tinham deixado tudo para segui-Lo, e de repente, Aquele em quem eles colocaram sua esperança tinha morrido, por isso eles voltam a suas vidas antigas, se reuniram para decidir o que fazer de suas vidas, mas o que os evangelhos não contam é que ao olharem uns para os outros, sentirão o perfume de Cristo no ar. É impossível passar pela experiência com Jesus e sermos iguais. Os discípulos se olharam e diziam: ‘...o perfume de Cristo está no meio de nós’, e não é possível que d’Aquele que fez tanto por nós não tenha ficado nada.Os discípulos só reconhecem Jesus quando eles reconhecem quem eles são. Aquele que tem o poder de te amar de verdade tem o poder de te fazer lembrar quem você é. Esta promessa de São Paulo está enraizada na experiência que eles tiveram com Jesus na dor, no sofrimento. Descubra na sua história o que você viveu, onde você não se deixou viver a experiência do casulo. Assim como as árvores, que tem que condensar todas as suas seivas para quando chegar a primavera possam ter seiva para que as folhas sejam verdes. Quantas vezes rezamos pela cura daqueles que amamos, assim como rezamos pela cura do padre Léo, quanta falta ele faz para nós! E para você que teve a sua vida transformada por uma palavra do padre Léo... Então ele morreu? Não! Porque quando você vive essa palavra proclama por ele, quando você faz brilhar a experiência daquilo que você aprendeu com ele através da palavra, ele se torna vivo dentro de você. Deus não está aí para realizar o que você quer mas para o que você precisa! O que você precisa que Deus faça na sua vida? A gente não sabe responder, porque estamos ocupados demais em dizer o que queremos. Não nasce cristão da noite para o dia, leva tempo, e filho do céu nasce ‘parturiado’, não tem cesariana, não nasce de maneira fácil. Filho do céu nasce da pedra, do túmulo Manhã de sábado é manhã de preparo, não sepulte de qualquer jeito, não passe pelo seu sofrimento de qualquer jeito, só vem a glória se, de fato, mergulharmos no mistério da morte. Não é para ficarmos na morte, mas devemos olhá-la de frente para que ela não seja maior que nós. Que nessa manhã de espera e ressurreição você não se esqueça que você é um filho do Céu!

Pe Fabio de Melo