segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
TEMPO PARA TUDO
Tempo de espera
“Eu sei que é difícil esperar, mas Deus tem um tempo para agir e pra curar. Só é preciso confiar.” – Padre Fábio de Melo
Quantas vezes ao nos depararmos com essa tão sofrida espera da ação de Deus em nossa vida, perdemos a esperança e a coragem de lutar. Atualmente, estamos tão acostumados com a rapidez e com as facilidades dos fast food’s, os PA’s (pronto-atendimentos), os disk-entregas, ou produtos instantâneos que, na maioria das vezes, são tão comuns em nosso dia a dia, que subentendemos que com a nossa vida interior precisa ser da mesma forma.
Queremos, e muitas vezes, e até exigimos de Deus uma resposta imediata e milagrosa, que venha ao encontro de nossas necessidades imediatas, e nos esquecemos de que Deus não muda, mas permanece fiel sempre. E assim, acabamos nos angustiando e esquecendo de que Deus tem um tempo para que cada coisa aconteça em nossa vida. De fato, avanço da tecnologia facilitou muito a nossa vida, porém, a cada dia estamos deixando de observar e valorizar o “tempo da espera”.
Deus se utiliza do tempo para nos amadurecer, em todos os aspectos da nossa vida. Porém, muitas vezes, não estamos dispostos a esperar e confiar, para que cada coisa aconteça no tempo de Deus, e não no nosso tempo.
Em Eclesiastes 3, 1-8, em que o tema é TEMPO PARA TUDO, está escrito: “Tudo neste mundo tem seu tempo; cada coisa tem sua ocasião. Há um tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de construir. Há tempo de ficar triste e tempo de se alegrar: tempo de chorar e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las; tempo de abraçar e tempo de afastar; Há tempo de procurar e tempo de perder; tempo de economizar e tempo de desperdiçar; tempo de rasgar e tempo de remendar; tempo de ficar calado e tempo de falar. Há tempo de amar e tempo de odiar, tempo de guerra e tempo de paz.”
Que Deus abençoe você e faça fecunda a sua espera e perseverança!
Mariana LG
Imagem/ Reprodução/Internet
Fonte: http://blog.cancaonova.com/florianopolis/tempo-de-espera/
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
'Pe. Fábio de Melo: Saber finalizar...
"Saber finalizar uma fase da vida requer tanta sabedoria quanto para iniciar."
(Padre Fábio de Melo)
(Padre Fábio de Melo)
Pe. Fábio de Melo: Onde houver um ser humano...
Onde houver um ser humano realizado, nele Deus estará revelado.
Queiramos isso. Sempre. Até o fim. O fim que nunca tem fim.
Padre Fábio de Melo.
Epifania – Pe. Fábio de Melo
Eu desfruto o sagrado dos dias. Sorvo a transcendência com a mesma naturalidade que respiro. Não me esforço para isto. Apenas obedeço aos comandos da alma, à voz calma que em mim clama por ritos santos.
Não me privo de esbarrar em Deus. Eu o experimento quando dobro os joelhos num ritual de prece, mas também quando derramo no prato claro uma concha de feijão escuro. Emociona-me a beleza das coisas. Comove-me a delicadeza divina, gesto generoso de deitar sobre o ordinário de minhas demandas o seu manto sagrado.
É litúrgico viver. É o corpo que declara. Conhece o segredo dos místicos. Rezar o significado das horas, dividir o tempo, estender a renda sobre o altar, cobrir o corpo de paramentos, inspecionar urgências, solicitar a Deus o que desejamos de futuro e adorná-lo com os delicados laços da beleza. A amarra é redentora. É por meio dela que nos explicamos o passado. É miraculoso retornar. O já vivido recebe as abluções que perdoam. Nas águas do rio santo que corre em mim, mergulho minha humanidade. Quaro diariamente o encardido da alma. Exponho ao sol as nódoas que perturbam meu amor-próprio. Exorcizo a tentação de nivelar-me ao imundo do mundo. É necessário viver. Andar na direção de tudo o que me desperta os sentidos. Fomentar o sorriso dos que passam por mim. O esquartejamento das alegrias potencializa sua permanência. Dou-me aos outros sem prejuízo. É eucarístico amar. Tornar-me pão solidário que o outro mastiga para suportar viver. É confortante servir. É léxico divino se encarnando em parcelas humanas, propondo palavras, gritando verbos, inventando adjetivos que restauram a beleza dos que estão negados. É admirável observar. Sobre os altares profanados rostos desfigurados sugerem profecias. São verdades revolucionárias desconcertantes.
Miseráveis imersos em misteriosas alegrias nos desinstalam. Carecem de tão pouco para sorrir. Um caixote à beira da estrada e uma lua no céu. Só isto. Tudo mais é invenção. O espírito livre enlaça os sonhos que o mundo desprezou. O ausente é inventado. O corpo que sonha recebe as recompensas do objeto sonhado. É necessário sonhar. Eleger no coração a fração da existência que ainda não sorveu o ar.
Eu não desisto. O suave respiro do mundo sincroniza meus passos. Dou-me em segredo as anseios do coração indômito. Ele me consome. Sente dobrado tudo que o visita. Foi inoculado com o vírus da melancolia. Não me importo. Sofro de poesia. Sou arauto do Verbo que recebeu na carne o dolorimento da existência. É impossível não crer. As cenas da vida me pulverizam de fé.
A mesa posta não comporta nobreza. A vitualha que está servida em nada me recorda os banquetes que já vi pelo mundo. Mas é minha. É o que tenho. Mais vale a simplicidade que apascenta do que o luxo que desgoverna. Eu aprendi com o tempo. Perder foi essencial. Ganhar também. Depois de tudo ter, saber relativizar o alcançado. Quanta liberdade careço ter para olhar com indiferença minha vitórias. Para os fracassos, também.
A fachada de vidro conduz pela mão a paisagem para dentro da casa. Já não estou só. O gado que rumina ao longe me acompanha. A contemplação gera partilha. As distintas condições se complementam, como se proprusessem soluções aos conflitos do mundo. O gosto do pão com manteiga é acrescido pela cena rural desse lugar a que chamam de Sete Voltas. São bem mais que sete. Eu sei que são. As voltas bem mais que sete me envolvem e me cercam. Estou na casa que moro. Mais que isto. Estou na casa que mora em mim.
O verde ao longe é mastigado pelos animais num movimento que parece nunca terminar. O que aos meus olhos é beleza, para eles é sobrevivência. Sirvo-me de café recém-coado. O negro do líquido preenche o branco da louça. Contemplo o acontecimento. A beleza antecede a saciedade. Os olhos comem antes que a boca. É luminosa a fome. É epifânica, grandiosa, bíblica.
O gado me recorda. Também eu careço ruminar nutrientes. O corpo vazio solicita repasto. Dou-lhe o que pede. É questão de sabedoria. A ancestralidade de minha condição me faz caçador. Para que a alma não se indisponha à beleza, o corpo carece ser alimentado. O sabor se mistura ao que sei sobre mim. A matéria nos encaminha aos labirintos do espírito. Juntamente com o pão trituro o sonho do dia. Almejo me possuir para depois me oferecer. Ser pão no banquete da amizade. É só o que quero. Descobri.
Pe. Fábio de Melo. In: É Sagrado Viver. São Paulo: Planeta, 2012
Fonte: https://perhappinessme.wordpress.com/2014/07/27/epifania-pe-fabio-de-melo/
Não me privo de esbarrar em Deus. Eu o experimento quando dobro os joelhos num ritual de prece, mas também quando derramo no prato claro uma concha de feijão escuro. Emociona-me a beleza das coisas. Comove-me a delicadeza divina, gesto generoso de deitar sobre o ordinário de minhas demandas o seu manto sagrado.
É litúrgico viver. É o corpo que declara. Conhece o segredo dos místicos. Rezar o significado das horas, dividir o tempo, estender a renda sobre o altar, cobrir o corpo de paramentos, inspecionar urgências, solicitar a Deus o que desejamos de futuro e adorná-lo com os delicados laços da beleza. A amarra é redentora. É por meio dela que nos explicamos o passado. É miraculoso retornar. O já vivido recebe as abluções que perdoam. Nas águas do rio santo que corre em mim, mergulho minha humanidade. Quaro diariamente o encardido da alma. Exponho ao sol as nódoas que perturbam meu amor-próprio. Exorcizo a tentação de nivelar-me ao imundo do mundo. É necessário viver. Andar na direção de tudo o que me desperta os sentidos. Fomentar o sorriso dos que passam por mim. O esquartejamento das alegrias potencializa sua permanência. Dou-me aos outros sem prejuízo. É eucarístico amar. Tornar-me pão solidário que o outro mastiga para suportar viver. É confortante servir. É léxico divino se encarnando em parcelas humanas, propondo palavras, gritando verbos, inventando adjetivos que restauram a beleza dos que estão negados. É admirável observar. Sobre os altares profanados rostos desfigurados sugerem profecias. São verdades revolucionárias desconcertantes.
Miseráveis imersos em misteriosas alegrias nos desinstalam. Carecem de tão pouco para sorrir. Um caixote à beira da estrada e uma lua no céu. Só isto. Tudo mais é invenção. O espírito livre enlaça os sonhos que o mundo desprezou. O ausente é inventado. O corpo que sonha recebe as recompensas do objeto sonhado. É necessário sonhar. Eleger no coração a fração da existência que ainda não sorveu o ar.
Eu não desisto. O suave respiro do mundo sincroniza meus passos. Dou-me em segredo as anseios do coração indômito. Ele me consome. Sente dobrado tudo que o visita. Foi inoculado com o vírus da melancolia. Não me importo. Sofro de poesia. Sou arauto do Verbo que recebeu na carne o dolorimento da existência. É impossível não crer. As cenas da vida me pulverizam de fé.
A mesa posta não comporta nobreza. A vitualha que está servida em nada me recorda os banquetes que já vi pelo mundo. Mas é minha. É o que tenho. Mais vale a simplicidade que apascenta do que o luxo que desgoverna. Eu aprendi com o tempo. Perder foi essencial. Ganhar também. Depois de tudo ter, saber relativizar o alcançado. Quanta liberdade careço ter para olhar com indiferença minha vitórias. Para os fracassos, também.
A fachada de vidro conduz pela mão a paisagem para dentro da casa. Já não estou só. O gado que rumina ao longe me acompanha. A contemplação gera partilha. As distintas condições se complementam, como se proprusessem soluções aos conflitos do mundo. O gosto do pão com manteiga é acrescido pela cena rural desse lugar a que chamam de Sete Voltas. São bem mais que sete. Eu sei que são. As voltas bem mais que sete me envolvem e me cercam. Estou na casa que moro. Mais que isto. Estou na casa que mora em mim.
O verde ao longe é mastigado pelos animais num movimento que parece nunca terminar. O que aos meus olhos é beleza, para eles é sobrevivência. Sirvo-me de café recém-coado. O negro do líquido preenche o branco da louça. Contemplo o acontecimento. A beleza antecede a saciedade. Os olhos comem antes que a boca. É luminosa a fome. É epifânica, grandiosa, bíblica.
O gado me recorda. Também eu careço ruminar nutrientes. O corpo vazio solicita repasto. Dou-lhe o que pede. É questão de sabedoria. A ancestralidade de minha condição me faz caçador. Para que a alma não se indisponha à beleza, o corpo carece ser alimentado. O sabor se mistura ao que sei sobre mim. A matéria nos encaminha aos labirintos do espírito. Juntamente com o pão trituro o sonho do dia. Almejo me possuir para depois me oferecer. Ser pão no banquete da amizade. É só o que quero. Descobri.
Pe. Fábio de Melo. In: É Sagrado Viver. São Paulo: Planeta, 2012
Fonte: https://perhappinessme.wordpress.com/2014/07/27/epifania-pe-fabio-de-melo/
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