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terça-feira, 25 de julho de 2017

A inutilidade e o amor

Ter que ser útil pra alguém é uma coisa muito cansativa. É interessante você saber fazer as coisas, mas acredito que a utilidade é um território muito perigoso porque, muitas vezes, a gente acha que o outro gosta da gente, mas não. Ele está interessado naquilo que a gente faz por ele. E é por isso que a velhice é esse tempo em que passa a utilidade e aí fica só o seu significado como pessoa. Eu acho que é um momento que a gente purifica, né? É o momento em que a gente vai ter a oportunidade de saber quem nos ama de verdade.

Porque só nos ama, só vai ficar até o fim, aquele que, depois da nossa utilidade, descobrir o nosso significado. Por isso eu sempre peço a Deus para poder envelhecer ao lado das pessoas que me amem. Aquelas pessoas que possam me proporcionar a tranqüilidade de ser inútil, mas ao mesmo tempo, sem perder o valor.

Quero ter ao meu lado alguém que saiba acolher a minha inutilidade. Alguém que olhe pra mim assim, que possa saber que eu não servirei pra muita coisa, mas que continuarei tendo meu valor.

Porque a vida é assim, fique esperto, viu?
Se você quiser saber se o outro te ama de verdade é só identificar se ele seria capaz de tolerar a sua inutilidade. Quer saber se você ama alguém? Pergunte a si mesmo: quem nessa vida já pode ficar inútil pra você sem que você sinta o desejo de jogá-lo fora?

É assim que descobrimos o significado do amor. Só o amor nos dá condições de cuidar do outro até o fim. Por isso eu digo: feliz aquele que tem ao final da vida, a graça de ser olhado nos olhos e ouvir do outro: "você não serve pra nada, mas eu não sei viver sem você".

Padre Fábio de Melo

terça-feira, 6 de junho de 2017

"Deus me quer bem!"

Eu não tenho direito de me sucumbir aos olhos daqueles que me detestam
Eu não tenho direito de me sucumbir aos olhos daqueles que me querem mal
Por que Deus me quer bem!
Porque que eu vou me ocupar dos comentários daqueles que não me amam?
Porque que eu vou ficar pensando no que os outros estão achando de mim?
Se o que na verdade me salva é o que deus sabe ao meu respeito!
O que você tem que se ocupar é disso.
Esqueça os que não gostam de você,
Esqueça o problema que você tem,
Esqueça da derrota que você sofreu,
E quem sabe esquecendo daquilo que não foi bom
O seu coração possa se ocupar de alguma coisa que é boa nessa vida.
Padre Fábio de Melo

"Necessidade de perdoar.“

“Na vida a gente só sabe se ama alguém, só tem o direito de dizer a alguém “eu amo você”, depois de ter dito infinitas vezes a este mesmo alguém a frase: “eu perdoo você”, porque na verdade a gente só sabe que ama depois de ter tido a necessidade de perdoar."
Padre Fábio de Melo

sexta-feira, 26 de maio de 2017


Espere menos, queira menos. 
Nem sempre o mais é sinônimo de adição. 
Recuar é tão necessário quanto ir adiante. 
Diminuir as expectativas pode nos ajudar a entender melhor a realidade... 
A vida é sempre boa mesmo sendo imperfeita. 

Padre Fábio de Melo

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

segunda-feira, 25 de março de 2013

"A beleza da vida"

A rosa, rainha das flores, é sustentada por uma haste cercada de espinhos. No entanto, nenhum espinho consegue machucar sua beleza.
Seja assim com você também. Não deixe que as dificuldades consigam machucar a beleza da sua vida. Antes, faça como a rosa. Mantenha a sua vida sempre acima de todas as dificuldades."

Pe.Fábio de Melo
A beleza da vida se multiplica cada vez que
a gente partilha com alguém que a gente ama,
se você quiser multiplicar a vida,
você precisa dividí-la.

-Pe Fábio de Melo-

sexta-feira, 22 de março de 2013

Resgatar a ritualidade da vida

Tua mão desceu sobre mim e me retirou da escuridão. Deu-me mãos e voz de profeta, deu-me um coração adorador’ [música].
"Desperta, tu que dormes"! (cf. Efésios 5, 6 e Isaías 26,19; 60,1). Quero ressaltar a primeira parte do refrão dessa música, que é o que Deus faz. É porque Ele desceu a mão, como num gesto violento que acorda quem está dormindo. Deus não pode fazer nada para o coração preguiçoso, que não quer ser mudado. O processo humano é difícil. Quanto sangue você tem que suar para ser uma mulher e um homem com integridade. Aquele que 'desce a mão' o faz para você melhorar. Não tem como conciliar o Cristianismo com a preguiça da vida, esquecendo-nos de como nós poderíamos ser como pessoas, sem cuidar da nossa vida. Coração preguiçoso não tem lugar no céu, porque Deus o quer de pé!
Hoje, uma mulher jovem, com lágrimas nos olhos, me dizia: ‘Deus tem me mantido em pé
através da Canção Nova. Eu perdi, no mesmo acidente, meu pai, meu esposo e meus filhos’. Ficar de pé quando tudo deu errado e sentir que a força de Deus o alcança! Ficar de pé quando se está no 'calvário', onde não é lugar de ficar sentado e sim de pé. Sentir-se de pé mesmo quando o 'calvário' está 'armado' e cheio de curiosos.
"Desperta, tu que dormes!". Não dá para ficar parado ou sentado e fazer de conta que não está acontecendo nada. Que caia por terra toda hipocrisia e toda máscara!
O amor é provado no fogo, na dura experiência de dar a vida pelo outro. Caso contrário, não é amor; é ilusão. Você sabe que alguém o ama não pelo que ele fala, mas pelo que faz. O amor não sobrevive de teorias. Não adianta falar para seu filho que o ama se seus gestos não correspondem a esse amor. Palavras sem gestos não edificam.
O 'calvário' é ladeira acima, em meio a pedras, e sem asfalto. Nossos passos não deslizam com facilidade. Não se chega ao céu de patins. São com essas 'botas da dor', difíceis, que se chega lá. Ninguém lhes prometeu que os valores seriam fáceis de ser alcançados. Você sabe muito bem o quanto lhe custou para chegar até onde chegou; as coisas não vêm de forma tão fácil assim.
Nós perdemos os rituais. Como era bom o tempo em que preparávamos nossas refeições. Era um ritual: as crianças descascando milho, as tias cozinhando-os no fogo, outro fazendo a palha, e a família toda em um ritual de alegria fazendo a pamonha. Nós tínhamos rituais de vida. Quando comíamos carne de porco ou fazíamos um almoço para toda a vizinhança e todo mundo da rua, para comermos juntos. Mas hoje, nossa comida vem toda pronta. Nós não temos mais o ritual de preparar o que nós comemos.
E aquela experiência de zelar por aquilo que é seu se perdeu. De consertar as coisas da casa, quando o pai sempre chamava o filho para aprender. Hoje tudo é muito prático, e perdemos o valor da realidade simbólica, perdemos a graça do diálogo, das conversas.
Às vezes, nossos filhos estão loucos para conversar conosco, mas não temos tempo. Nós precisamos construir relações concretas. Às vezes se cuida dos 'amigos virtuais', mas não se cuida de quem está ao lado. A tecnologia não pode se utilizar de nós, quem deve mandar nela somos nós. Há muitas coisas que nos escravizam. Temos de abrir os olhos para tudo isso e sair da cegueira. Nós não pensamos nas conseqüências que minam a capacidade de sermos pessoas concretas e reais. Damos muito tempo para as pessoas no computador, nos 'messenger's' e tantas coisas mais, mas não damos uma palavra para um amigo do nosso lado.
Se não ritualizarmos a nossa vida nos tornaremos insensíveis. Aí Deus vai ter que 'descer a mão' mesmo, e o 'sopapo' vem quando você percebe que está perdendo o seu filho para as drogas; perdendo o pai para o álcool e a mãe para infidelidade. Preste atenção aos 'tapinhas' da vida para não ter um tapa mais forte adiante; podendo ser tarde demais. "‘Desperta, tu que dormes!" Pessoas que estão dormindo e ficam na preguiça, é como dar um remédio para aquele paciente que quer morrer. Quando éramos crianças aprendíamos a tecer, a bordar e a costurar. Será que o bordado, que fazíamos exteriormente, não repercutia na nossa alma, interiormente, tornando-nos mais pacientes? Cortar o mato com a enxada, por exemplo, não fazemos mais nós mesmos. Não diga: 'Eu posso pagar'. Hoje é tudo muito diferente e podemos pagar para que alguém o faça, mas, de vez em quando, faça você mesmo.
Todas as mulheres lustram os móveis para que fiquem bonitos, mas ninguém vai saber 'lustrar' o rosto de seu filho como você. 'Desça do salto!' Vá para a simplicidade. Em vez de levar o filho ao restaurante que oferece a comida mais saborosa que existe, surpreenda-o com um avental fazendo vocês a comida, você e seu marido. A comida vai ter o sabor mais gostoso que qualquer outro restaurante.
A cura de nossos afetos vem por meio desses rituais. É uma alegria chegar em casa e ver a mãe cozinhando.
Abra os olhos para o filho que você tem, abra os olhos para a mulher que você tem, não se acostume com o seu marido nem com sua esposa. Abra espaços para as surpresas. Nossos afetos são construídos dentro de casa. Nada pode ser mais destruidor do que uma palavra do pai e da mãe.Você tem o direito de dizer o que quiser, mas não tem o direito de dizer do "jeito" que quiser. Nós traumatizamos as pessoas na forma como dizemos as coisas. Talvez você esteja perdendo a oportunidade preciosa de ser uma esposa, uma mãe, um filho, um marido, tratando-os como se fossem 'um qualquer'. Cuide do que é seu! O amor requer calma e um olhar vagaroso. Essas coisas são tão boas e tão simples, mas ouvimos pouco sobre elas. Corremos o risco de deixar a vida passar e não viver direito com aqueles que amamos.
Da sua casa você é o profeta. Você é convidado a ser o profeta. É você quem tem de mudar. A transformação é na sua vida, no poder de ser profeta no seu 'território', em sua casa, sendo a voz de Deus em nome do amor vivo presente em você. "‘Desperta, tu que dormes!" Seja justo com o que Deus lhe oferece. A sua casa merece sua coragem. Você está diferente!

Padre Fábio de Melo
Fonte: http://eventos.cancaonova.com/pregacoes/resgatar-a-ritualidade-da-vida/

sábado, 10 de novembro de 2012

Padre Fábio de Melo: A vida é igual garimpo.


A vida é igual garimpo.
Não se percebe o diamante
numa primeira olhada.
Por ser muito parecido
com o cascalho,
corre o risco
de ser jogado fora.
Cascalhos e diamantes se parecem.

A única diferença é que o diamante
esconde o brilho sob as cascas
que o revestem.

É preciso lapidar.
Pessoas são como diamantes.
Corremos o risco de jogá-las fora
só porque não tivemos
a disposição
de olhá-las para além
de suas cascas.

E então, desperdiçamos
grandes riquezas
no exercício
de alimentar pobrezas.

Padre Fábio de Melo

Imagem/Reprodução/Internet

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O que da vida não se descreve...

Eu me recordo daquele dia. O professor de redação me desafiou a descrever o sabor da laranja. Era dia de prova e o desafio valeria como avaliação final. Eu fiquei paralisado por um bom tempo, sem que nada fosse registrado no papel. Tudo o que eu sabia sobre o gosto da laranja não podia ser traduzido para o universo das palavras. Era um sabor sem saber, como se o aprimorado do gosto não pertencesse ao tortuoso discurso da epistemologia e suas definições tão exatas. Diante da página em branco eu visitava minhas lembranças felizes, quando na mais tenra infância eu via meu pai chegar em sua bicicleta Monark, trazendo na garupa um imenso saco de laranjas. A cena era tão concreta dentro de mim, que eu podia sentir a felicidade em seu odor cítrico e nuanças alaranjadas. A vida feliz, parte miúda de um tempo imenso; alegrias alojadas em gomos caudalosos, abraçados como se fossem grandes amigos, filhos gerados em movimento único de nascer. Tudo era meu; tudo já era sabido, porque já sentido. Mas como transpor esta distância entre o que sei, porque senti, para o que ainda não sei dizer do que já senti? Como falar do sabor da laranja, mas sem com ele ser injusto, tornando-o menor, esmagando-o, reduzindo-o ao bagaço de minha parca literatura?

Não hesitei. Na imensa folha em branco registrei uma única frase. "Sobre o sabor eu não sei dizer. Eu só sei sentir!" 

Eu nunca mais pude esquecer aquele dia. A experiência foi reveladora. Eu gosto de laranja, mas até hoje ainda me sinto inapto para descrever o seu gosto. O que dele experimento pertence à ordem das coisas inatingíveis. Metafísica dos sabores? Pode ser... 

O interessante é que a laranja se desdobra em inúmeras realidades. Vez em quando, eu me pego diante da vida sofrendo a mesma angústia daquele dia. O que posso falar sobre o que sinto? Qual é a palavra que pode alcançar, de maneira eficaz, a natureza metafísica dos meus afetos? O que posso responder ao terapeuta, no momento em que me pede para descrever o que estou sentindo? Há palavras que possam alcançar as raízes de nossas angústias? 

Não sei. Prefiro permanecer no silêncio da contemplação. É sacral o que sinto, assim como também está revestido de sacralidade o sabor que experimento. Sabores e saberes são rimas preciosas, mas não são realidades que sobrevivem à superfície. 

Querer a profundidade das coisas é um jeito sábio de resolver os conflitos. Muitos sofrimentos nascem e são alimentados a partir de perguntas idiotas. 

Quero aprender a perguntar menos. Eu espero ansioso por este dia. Quero descobrir a graça de sorrir diante de tudo o que ainda não sei. Quero que a matriz de minhas alegrias seja o que da vida não se descreve... 

Padre Fábio de Melo

Retirado do Site oficial do Padre Fábio de Melo

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O Movimento da Vida

Eu não sei se a vida é que vai rápida demais ou se sou eu que estou mais lento. O que sei é que ando me atropelando-nos próprios passos. Eu resolvi desacelerar. Eu vou no ritmo que posso. Não é fácil. É sabedoria que requer aprendizado! Eu quero aprender. O descompasso é a causa de todo cansaço. O corpo é rápido, mas o coração não. O corpo anda no compasso da agenda. O coração anda é no compasso do amor miúdo. O corpo sobrevive de andares largos. O coração sobrevive de pequenos passos e de demoras. Eu já fui e voltei a inúmeros lugares e o coração nem saiu do lugar. O mistério é saber reconciliar as partes. Conciliar um ritmo que seja bom para os dois. Eu quero aprender. Não quero o martírio antes da hora. Quero é o direito de saborear o tempo como se fosse um menino que perdeu a pressa. O show? Ah, deixa pra depois. A voz não morrerá. Acendemos as luzes noutra hora. Deixe que o padre viva a penumbra de algumas poucas velas... Um padre combina mais com uma vela acesa que com um canhão de luz. Há momentos em que a luz miúda nos revela muito mais que mil holofotes. Chega de vida complicada. Eu preciso é de simplicidade! 

Padre Fábio de Melo

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O Movimento da Vida

Eu não sei se a vida é que vai rápida demais ou se sou eu que estou mais lento. O que sei é que ando me atropelando nos próprios passos.
Eu resolvi desacelerar. Eu vou no rítmo que posso.
Não é fácil. É sabedoria que requer aprendizado! Eu quero aprender.
O descompasso é a causa de todo cansaço. O corpo é rápido, mas o coração não. O corpo anda no compasso da agenda. O coração anda é no compasso do amor miúdo. O corpo sobrevive de andares largos. O coração sobrevive de pequenos passos e de demoras. Eu já fui e voltei a inúmeros lugares e o coração nem saiu do lugar.
O mistério é saber reconciliar as partes. Conciliar um ritmo que seja bom para os dois.
Eu quero aprender. Não quero o martírio antes da hora. Quero é o direito de saborear o tempo como se fosse um menino que perdeu a pressa. O show? Ah, deixa pra depois. A voz não morrerá. Acendemos as luzes noutra hora. Deixe que o padre viva a penumbra de algumas poucas velas... Um padre combina mais com uma vela acesa que com um canhão de luz.
Há momentos em que a luz miúda nos revela muito mais que mil holofotes.
Chega de vida complicada. Eu preciso é de simplicidade!


 Fonte: Site Oficial do Padre Fábio de Melo