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terça-feira, 25 de julho de 2017

"A velhice nos trás direitos maravilhosos”


Enquanto a juventude é cheia de obrigações.
A velhice é o tempo em que vivemos a doce inutilidade.
Porque mais cedo ou mais tarde iremos experimentar
Esse território desconcertante da inutilidade.
Esse é o movimento natural da vida.
Perder a juventude é você perder a sua utilidade,
É uma conseqüência natural da idade que chega.

A velhice é o tempo em que passasse a utilidade
E aí ficasse somente o significado da pessoa.
É o momento que a gente se purifica.
É o momento que a gente vai tendo a oportunidade
De saber quem nos ama de verdade.
Porque só nos ama pra ficar até o fim
Aquele que, depois da nossa utilidade,
Descobriu o nosso significado.

É por isso que sempre rezo para
Envelhecer ao lado de quem me ama.
Para poder ter a tranqüilidade de não ser útil
Mas ao mesmo tempo não perder o valor.
Se você quiser saber se alguém te ama de verdade
É só identificar se ele seria capaz de tolerar a sua inutilidade.

Quer saber se você ama alguém?

Pergunte a si mesmo, quem nesta vida
Que pode ficar inútil pra você
Sem que você sinta o desejo de jogá-lo fora.
E é assim que nós descobrimos o significado do amor...
Só o amor nos dá condições de cuidar do outro até o fim!
Feliz daquele que tem ao fim da vida,
A graça de ser olhado nos olhos, e ouvir a fala que diz:

"Você não serve pra nada, mas eu não sei viver sem você!."

_Pe. Fabio de Melo_

♥..Uma belíssima reflexão... “Feliz daquele que tem ao fim da vida, a graça de ser olhado nos olhos, e ouvir a fala que diz: - Você não serve pra nada, mas eu não sei viver sem você!”

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

"A felicidade é artesanato "

A felicidade é artesanato – Pe. Fabio de Melo
Fábio José de Melo Silva, mais conhecido como Pe. Fábio de Melo, 43 anos, é também cantor, escritor, professor universitário, apresentador. Mineiro da cidade de Formiga, Pe. Fábio é campeão em vendas de CDs, DVDs e livros de inspiração religiosa. Em abril passado, lançou o seu 12º livro O Discípulo da madrugada, 184 páginas, publicado pela Editora Planeta. A obra tem como principal personagem um homem religioso e bem-intencionado, que tem sua vida modificada ao se tornar amigo de Jesus, antes de presenciar sua crucificação. Na abertura, ele conta que a ideia desse texto é antiga. Nasceu de um desassossego, gerado pela contradição entre os ensinamentos da catequese e os de sua mãe, que lhe apresentou Deus através do Coração de Jesus. Nesta entrevista Pe. Fábio fala sobre vocação, relacionamentos, ecumenismo e outros temas.

Como é ser um líder religioso e ao mesmo tempo um ídolo para muitas pessoas? De que maneira é trabalhada a questão do ego?
Um líder religioso nunca pode perder de vista o que o tornou conhecido. Sou um anunciador do evangelho. E o que o evangelho propõe? Humildade, simplicidade, honestidade, coerência. É assim que resolvo os excessos, voltando às minhas fontes.
Desde quando a arte faz parte da sua vida?
Desde que nasci. Sempre fui afeito ao mundo da arte. Depois descobri que poderia conciliar o ofício sacerdotal com as aptidões artísticas que Deus havia me concedido.
Um dos paradoxos da sociedade contemporânea está na relação ser e ter, ou ter e ser. Quanto vale o “ser”?
Só o “ser” nos realiza plenamente. Sem ele o “ter” ¬fica sem sentido, torna-se vazio. As conquistas materiais só serão apreciadas sem peso se o cultivo do “ser” não for negligenciado.
O que é a fé?
Experimentamos dois tipos de fé: a natural e a sobrenatural. A natural é aprendida desde que descobrimos o mundo. Alguém cuida de nós, desperta nossa confiança, e então estabelecemos o vínculo que nos dá a oportunidade de ter fé no outro. A fé sobrenatural é um desdobramento da natural. Depois de aprender a con¬fiar nas pessoas, podemos desenvolver uma fé que ultrapassa o contexto material em que estamos inseridos. Essa con¬fiança, que nos põe em caminhos desconhecidos, nos ajuda a suportar o peso da existência. Ela nos conforta com a certeza de que não estamos sozinhos na travessia.
O que é necessário para ser feliz?
Não acredito em respostas prontas. A felicidade é artesanato. Cada um faz de acordo com os recursos que tem.
Como viver o desafio cotidiano sem achar a vida enfadonha? É possível transformar a mesmice em uma aventura?
Prestando atenção no mundo. A rotina pode ser criativa. Os melhores livros que conheci narram rotinas. O que muda é o olhar que a ela dedicamos. A vida é cruel, mas é sempre generosa. Não podemos ser mesquinhos ao fazer a contabilidade final.
Como viver o desa¬fio cotidiano sem achar a vida enfadonha? É possível transformar a mesmice em uma aventura?
Prestando atenção no mundo. A rotina pode ser criativa. Os melhores livros que conheci narram rotinas. O que muda é o olhar que a ela dedicamos. A vida é cruel, mas é sempre generosa. Não podemos ser mesquinhos ao fazer a contabilidade ¬ final.
Você acredita que o Papa Francisco conseguirá dar um novo rumo à Igreja Católica Romana? Quais desa¬fios ele tem pela frente?
Acredito que sim. O Papa Francisco é autêntico, simples. Ele não se amarra no modelo protocolar. Com isso, estabelece uma ponte com o mundo. Este sempre foi o desa¬fio da Igreja. Apresentar o evangelho ao mundo.
Como avalia o despertar vocacional? Tem crescido o interesse pela vida sacerdotal?
A vida sacerdotal sempre despertou fascínio. Mas não é fácil optar por ela. Requer muita coragem. Nunca faltou à Igreja pessoa de coragem. E hoje não tem sido diferente. Há muita gente disposta a tornar o mundo melhor. Muitos homens e mulheres descobrem na vida consagrada uma forma eficaz de transformar o mundo.
Na sua opinião, O que impede muitos jovens abdicarem de suas existências pela vida religiosa?
A obediência.
Você é vaidoso? Há um limite imposto por si mesmo?
Tudo precisa de limite. Até mesmo o cuidado que temos conosco. Eu me cuido para ser saudável. É uma forma que tenho de rezar pela minha saúde. A única novena que nos emagrece é a que rezamos correndo.
Como lida com o assédio dos fãs?
As pessoas me tratam como eu as autorizo. Os exageros ocorrerão se eu não estabelecer um limite. Mas o que prevalece é o carinho respeitoso.
Na sua opinião, porque as relações amorosas são superficiais?
Porque muita gente só quer se entreter. Não é possível estabelecer um vínculo mais profundo sem o enfrentamento de con flitos.
O casamento também é uma vocação. Qual o conselho para quem tem esse ideal?
Que não se case tão cedo. Primeiramente faça um investimento na vida pro¬fissional. Isso ajudará muito na relação a dois.
Muitas pessoas o admiram pela sua postura ecumênica. Hoje, o diálogo inter-religioso ocorre de forma mais efetiva?
Desde menino, eu convivi com os diferentes. Aprendi a ouvi-los, e mesmo não tendo nenhuma identi¬ficação com suas crenças, quis conhecê-los. Não sei ser religioso de outra forma. O diálogo inter-religioso avança, mas também retrocede. A dinâmica do mundo é assim. Enquanto alguns se movimentam para quebrar os muros, outros fazem questão de erguê-los. Não vejo sentido na “Guerra Santa”. Ela é contraditória em sua origem. Não consigo entender esse discurso que autoriza o ódio em nome de Deus. As crenças são diferentes, mas os conflitos humanos são os mesmos. Isso, sim, deve nos aproximar.
Sobre o seu último livro, O Discípulo da Madrugada, qual foi a motivação para escrevê-lo? 
Nunca sabemos precisar quando é que um livro começa a nascer. O que sei, é que ele é antigo dentro de mim. Sempre me incomodou a discrepância entre o Deus cruel do Antigo Testamento com o Deus amoroso revelado por Jesus. Quando comecei a cursar Teologia, pude compreender que a linguagem bíblica está sempre imersa
nos recursos da metáfora. E essa arregimentação linguística carece ser contextualizada ao ser interpretada. O Deus bélico, combatente e cruel do Antigo Testamento, não é sem razão. A revelação divina esbarra nos limites humanos. É natural que em comunidades onde prevalece uma mentalidade tribal, Deus assuma as mesmas características. Todos nós trazemos na alma esta herança. Muitas pessoas que conheço viram Deus pela primeira vez num campo de batalha. É o contexto do Antigo Testamento. Mas nós somos herdeiros do Novo Testamento. O desfio é viver a travessia que só Jesus pode nos ajudar a fazer. Esta é a trama do livro.

Fonte: http://www.revistakalunga.com.br/entrevistas/felicidade-e-artesanato-pe-fabio-de-melo/

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A PUREZA DO OLHAR



Ter olhos puros é ter uma conexão direta com nosso coração. Quando Deus transforma o nosso jeito de pensar, modifica também o nosso jeito de olhar as coisas e as pessoas. Vemos as coisas com os olhos da pureza, sem preconceito. Olhar as pessoas com pureza significa permitir que elas sejam vistas por nós como se estivessem sendo vistas por Jesus.

É muito bonito descobrirmos que, na oportunidade de encontrar o outro, também encontramos um pouquinho daquilo que somos. Há duas formas da fazermos isso: nos alegrando quando vemos, refletido no outro, um pouco daquilo que temos de bom. Mas também podemos nos entristecer, quando vemos o que o outro tem de ruim e descobrimos que somos ruins também daquele jeito.
Por isso é natural que, muitas vezes, aquilo que eu escuto de ruim do outro eu acabo não gostando, porque, na verdade, ele me mostra o que eu sou.

Ter a pureza no olhar significa você se despir de tudo e começar a olhar com carinho e liberdade para aquilo que o outro é, permitindo que esse seja o encontro frutuoso, tanto para nos mostrar o que temos de bom e para nos indicar no que precisamos ser melhor.

Neste dia de Santa Luzia, desejo que todos nós tenhamos os olhos puros.

Padre Fábio de Melo