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quinta-feira, 11 de abril de 2013

O encanto de ser pessoa

Nisso consistem os dois pilares do conceito de "pessoa". Possuir-se para disponibilizar-se. É a vida na prática, é a trama da existência e sua riqueza insondável. Encontros e despedidas. Passagens transitórias, chegadas definitivas. Vida se desdobrando em pequenas partes. Eu me encontrando, surpreendendo-me, como se ainda não soubesse nada sobre mim. Eu misturando minha vida na vida do outro, encontrando-o, permitindo que nossos significados nos congreguem. Eu abandonando a solidão de minha condição de posse de mim mesmo para alcançar a proeza de ser com o outro. Antes, a solidão do eu; depois, o estabelecimento do nós. Encontro de pessoas. Um eu que se encontra com um tu e que juntos estabelecem um nós.

Martim Buber, grande nome da filosofia personalista, nos propõe esta bela e fecunda verdade. No encontro entre um eu e um tu, uma terceira pessoa de existência própria se estabelece. Nossos olhos não podem enxergá-la, mas a nossa sensibilidade nos aponta para ela. O nós é o que sobra do encontro entre o eu e o tu.

Quem me roubou de mim? O sequestro da subjetividade e o desafio de ser pessoa
Autoria: Padre Fábio de Melo

segunda-feira, 25 de março de 2013

“Desafio de Ser Pessoa...”

O Sequestro da Subjetividade e o Desafio de Ser Pessoa - Parte Final

(Texto de autoria do Pe. Fábio de Melo. Retirado do livro "Quem me roubou de mim? O sequestro da subjetividade e o desafio de ser pessoa").



ABRINDO OS CATIVEIROS QUE EXISTEM EM NÓS

É hora de reação.A provocação foi feita.
Neste mundo de sequestrados e sequestradores há sempre um detalhe da história que nos toca. Ou porque vivemos um dos lados da trama, protagonizando o sequestro de alguém, ou porque estamos vivendo os lamentos de um cativeiro em que fomos colocados, ou porque simplesmente descobrimos que há muitas aplicações deste texto em nossa vida. Não importa onde estamos. O que importa é aonde podemos chegar. Não importa o que fizemos até agora, mas sim o que podemos fazer com tudo o que fizemos até agora. Creio que sempre é tempo de abrir cativeiros. Ou para que outro saia, ou para que nós saiamos. A qualidade da nossa vida depende da qualidade de nossas relações. Reorientar a conduta, sobretudo quando identificamos os desvios que nos levam para longe de nós mesmos, é a atitude mais sábia que podemos adotar. Reassumir a capacidade de voltar à posse do que somos e conseqüentemente dar ao outro o melhor que podemos oferecer é um jeito interessante que temos de humanizar-nos ainda mais. Humanidade é processo a ser construído. Somos mais humanos à medida que somos livres, resgatamos os cativeiros e lhes devolvemos o direito de serem livres também. Promover a liberdade, defender e propagar a força da linguagem simbólica é uma forma interessante de traduzir o Evangelho nos dias de hoje. 
Há muitos cativeiros a serem abertos. Há muitas prisões a serem quebradas. Preconceitos, visões apressadas, conceitos distorcidos, desumanizações em nome de Deus, cativeiros em nome do amor. Gente dominada, sem vontade própria, entregue aos domínios dos diabólicos de plantão. Uma coisa é certa. O perigo do sequestro da subjetividade mora ao lado, e de alguma forma ela já nos atingiu. Em proporções diversas, em intensidades diferenciadas, esse malefício contemporâneo já nos esbarrou. O importante é a reflexão que podemos fazer. Repensar as relações que foram marcantes em nossa vida ajuda-nos na análise que precisamos fazer. Perguntas são sempre bem-vindas na vida de quem cresce. Há perguntas que não precisam ser respondidas com pressa. Elas pertencem ao mundo da reflexão que não pára. São perguntas que possuem o dom de fertilizar o plantio que somos nós. Perguntar-se é uma maneira interessante de se descobrir como pessoa. Por isso as perguntas são pontes que nos favorecem travessias.
Eu não acredito que você tenha chegado ao fim deste livro sem que tenha se confrontado com algumas coisas que aqui foram ditas. Este não é um livro de teorias, mas é um livro ditado pela vida. Ele não nasceu das teorias que me acompanham. Foi o contrário. Ele nasceu da vida que antes eu vi, ouvi e vivi. Somente depois eu quis escrevê-lo. Antes, a vida; depois, o livro. É por isso que eu gostaria de finalizá-lo do mesmo jeito que ele começou em mim: com perguntas. Dessa forma ele não termina, mas continua em você, permitindo-me a proeza de continuar escrevendo de maneira tão eficaz e frutuosa. Se este livro continuar em você, conduzindo-o pelos caminhos tortuosos de sua construção humana, então já valeu tê-lo escrito. Se minhas palavras o fizerem pensar, e conseqüentemente agir com mais clareza e qualidade, então já valeu ter-me feito a primeira pergunta, a que originou o assombro inicial.
 E assim, dando continuidade ao processo que não pode parar, deixo algumas perguntas para que este livro não termine em sua última página escrita. Dos relacionamentos que você já teve, quais foram as ocasiões em que verdadeiramente você foi modificado para melhor? Quais são as pessoas que passaram pela sua vida, que lhe deixaram saudades e que você faz questão de cultivar? Quem foram as pessoas que mais favoreceram seu crescimento afetivo, proporcionando-lhe uma relação em que pudesse entrar em contato com seus defeitos, qualidades, e conseqüentemente lhe ajudaram no processo de tornar-se pessoa? Onde é que você pode identificar, nas páginas de sua história, os acontecimentos em que sua liberdade foi promovida por alguém? O contrário também precisa ser perguntado. Quais foram as pessoas que mais deixaram marcas negativas dentro de você quais são as piores lembranças que estão registradas em sua memória afetiva? Quantas e quais pessoas desempenharam em sua vida o papel de sequestradoras  mantendo-o nos territórios minguados de um amor possessivo, desumanizador?
Quantas vezes você pode identificar em seu coração um jeito estranho de querer possuir o outro, impedindo-o de exercer sua liberdade? Será que você é lembrança doída na vida de alguém? Será que já construiu cativeiros? Será que já viveu em algum? Será que você já foi capaz de pagar o resgate de alguém? Com sua palavra, com sua atitude, com seu jeito de viver? Será que já idealizou demais as situações, as pessoas e por isso perdeu a oportunidade de encontrar as situações e as pessoas certas? Se hoje você tivesse que classificar sua postura no mundo, você se definira como uma pessoa simbólica ou diabólica?
Sejam quais forem as respostas, não tenha medo delas. Mais vale uma verdade amarga que tenha o poder de nos fazer crescer do que uma mentira adocicada que nos mantenha acorrentados no cativeiro da ignorância. Hoje é dia de resgate. A porta já foi aberta. É só sair. 

Padre Fábio de Melo

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Não podemos ser indiferentes

Não podemos ser indiferentes á harmonia das cores
que a natureza reflete, nem ao canto dos pássaros
que se renova a cada amanhecer, e muito menos
ao mistério que se esconde em cada coração humano,
tudo fala do AMOR infinito de DEUS.

 (Pe. Fábio de Melo)

VIR A SER

Eu procuro por mim. 
Eu procuro por tudo o que é meu e que em mim se esconde. 
Eu procuro por um saber que ainda não sei, mas que de alguma forma já sabe em mim. 
Eu sou assim... 
processo constante de vir a ser. 
O que sou e ainda serei são verbos que se conjugam sob áurea de um mistério fascinante. 
Eu me recebo de Deus e a Ele me devolvo. 
Movimento que não termina porque terminar é o mesmo que deixar de ser. 
Eu sou o que sou na medida em que me permito ser. 
E quando não sou é porque o ser eu não soube escolher.

Pe Fábio de Melo

terça-feira, 24 de abril de 2012

VIR A SER

 Eu procuro por mim. Eu procuro por tudo o que é meu e que em mim se esconde. Eu procuro por um saber que ainda não sei, mas que de alguma forma já sabe em mim. Eu sou assim... processo constante de vir a ser. O que sou e ainda serei são verbos que se conjugam sob áurea de um mistério fascinante. Eu me recebo de Deus e a Ele me devolvo. Movimento que não termina porque terminar é o mesmo que deixar de ser. Eu sou o que sou na medida em que me permito ser. E quando não sou é porque o ser eu não soube escolher.
 - Pe. Fábio de Melo-